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União Europeia veta carne brasileira e ameaça exportações de quase US$ 2 bilhões por ano

A União Europeia (UE) oficializou nesta sexta-feira (5) a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para o bloco. A medida passa a valer em 3 de setembro de 2026 e pode impactar diretamente um mercado que movimentou cerca de US$ 1,8 bilhão em exportações brasileiras no ano passado.
Segundo as autoridades europeias, o Brasil foi retirado da lista por não apresentar garantias suficientes sobre a não utilização de determinados antimicrobianos na produção pecuária. Com isso, ficarão suspensas as exportações de carne bovina, carne de frango, carne de cavalo, além de produtos como peixe, mel e tripas.
A União Europeia é atualmente o segundo maior destino das exportações brasileiras de carnes em valor, atrás apenas da China. Dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura, mostram que o bloco comprou 368,1 mil toneladas de produtos brasileiros em 2025.
A carne bovina lidera as exportações para os europeus, com faturamento de US$ 1,048 bilhão e volume de 128 mil toneladas embarcadas. Já a carne de frango gerou receitas de US$ 762 milhões, com exportação de 230 mil toneladas. O mel também deve ser afetado pela decisão, tendo somado US$ 6 milhões em vendas ao mercado europeu no último ano.
Enquanto o Brasil perde acesso ao mercado europeu, outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, permanecem autorizados a exportar para a UE.
Entenda o motivo do veto
De acordo com o advogado e doutor em Direito Agroambiental Leonardo Munhoz, a decisão não está relacionada a um único medicamento, mas à capacidade do Brasil de comprovar fiscalização, rastreabilidade e conformidade sanitária em toda a cadeia produtiva.
Nos últimos anos, a União Europeia endureceu as regras para o uso de antimicrobianos na pecuária, especialmente aqueles utilizados como promotores de crescimento dos animais. Entre as substâncias restritas pelo bloco estão virginiamicina, avoparcina, bacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina.
Em abril deste ano, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria proibindo a importação, fabricação, comercialização e uso de algumas dessas substâncias, incluindo avoparcina e virginiamicina. No entanto, as medidas adotadas ainda não foram consideradas suficientes pelas autoridades europeias.
Caminhos para retomar as exportações
Especialistas apontam que o Brasil poderá voltar a exportar para a União Europeia caso adote restrições legais mais amplas ao uso dos antimicrobianos ainda permitidos ou consiga comprovar, por meio de sistemas de rastreabilidade, que os produtos destinados ao mercado europeu estão livres dessas substâncias.
A segunda alternativa, porém, é considerada mais complexa e custosa, pois exige controles rigorosos em toda a cadeia de produção.
Segundo Munhoz, as intenções da União Europeia de ampliar essas exigências já eram conhecidas desde 2019. Para o especialista, a decisão gera preocupação no setor agropecuário devido à importância estratégica do mercado europeu para as proteínas animais brasileiras e aos possíveis impactos sobre certificações sanitárias, rastreabilidade e conformidade regulatória das exportações.