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Campanha Janeiro Branco busca conscientizar e promover a saúde mental
A campanha Janeiro Branco tem por objetivo promover a saúde mental e emocional e conscientizar as pessoas sobre a importância do cuidado com o bem-estar psicológico. Com o simbolismo da cor branca, que representa uma “folha em branco” e a oportunidade de recomeçar, a campanha convida as pessoas a refletir sobre suas emoções e vulnerabilidades, e a buscar ajuda profissional quando necessário.
A psicóloga Daiane Göttems (CRP 07/39741) destaca que os meses coloridos, assim como o Janeiro Branco, Outubro Rosa e Novembro Azul, são formas de chamar a atenção para questões específicas naqueles meses. Porém, é preciso ser crítico quanto a complexidade do tema para que não seja reduzido a ações pontuais, desconsiderando fatores sociais e estruturais que afetam a saúde mental, por exemplo. “Não se trata apenas da responsabilidade individual pelo autocuidado. Enquanto sociedade, é nosso dever lutar pela garantia de direitos dessas pessoas, promovendo inclusão e equidade. Reivindicar Políticas Públicas eficientes ao enfrentamento do etarismo, do capacitismo e da violência”, destacou.
Daiane também trouxe algumas dicas relacionadas aos cuidados da saúde mental para grupos como idosos e Pessoas com Deficiência (PCD). Viabilizar o diálogo e principalmente uma escuta genuína: isso transcende a gentileza e assegura o protagonismo destes grupos. “Buscar a rede de apoio e o fortalecimento de vínculos familiares e sociais auxiliam de forma a reduzir barreiras relacionais e enfrentando situações de negligência e discriminação”, afirmou.
Segundo Daiane, todos têm direito a saúde mental e existem inúmeras formas de promovê-la antes de chegar a uma psicoterapia, mas o acesso desses grupos ao profissional da Psicologia, pode ser fundamental na promoção da autonomia e da emancipação com protagonismo.
Luta contra o etarismo e o capacitismo
O acesso da PCD e da Pessoa Idosa a educação e ao mercado de trabalho, ainda é desafiadora. saúde mental desses grupos está diretamente relacionada aos preconceitos que vivenciam nestes âmbitos, seja pelo etarismo ou pelo capacitismo. A participação de pessoas idosas em atividades de lazer, cultura e esporte tem se tornado mais acessível em algumas regiões mais desenvolvidas, proporcionando maior socialização, qualidade de vida, bem-estar. Em se tratando de PCD, o acesso parece ser ainda muito inferior, as barreiras e a discriminação não permitem que esse grupo possa usufruir daquilo que é para todas e todos.
A Fonoaudiologa, Diretora da Apae Ivoti e Coordenadora de Envelhecimento da Federação Estadual das Apaes, Marliese Godoflite, sobre a dificuldade das Pessoas com Deficiência na busca por qualidade de vida, especialmente na área profissional e participação social. “Pensar em saúde mental é também ter qualidade de vida e vida de qualidade para todas as pessoas, nos diferentes ciclos da vida, seja ela com ou sem deficiência”, afirmou. Segundo Marliese, nas últimas décadas, o Brasil avançou em políticas públicas e legislações voltadas à inclusão laboral da PcD. A Lei nº 8.213/1991, mais conhecida como a Lei de Cotas, estabeleceu que empresas com 100 ou mais empregados deveriam reservar um percentual de vagas para pessoas com deficiência. “Iniciativas de qualificação profissional, programas de aprendizagem e adaptações nos ambientes de trabalho também têm contribuído para o aumento do número de PcDs empregadas. Esses avanços representam um marco no reconhecimento dos direitos dos trabalhadores e da capacidade produtiva”, destacou.
O Psicanalista Clínico (CBO 2515-50) e teólogo pós-graduado em aconselhamento, de Nova Petrópolis, Lucas Ferreira, falou um pouco sobre a importância da saúde integral. “Saúde mental não é apenas falar de doença, é falar das emoções que sentimentos, dos pensamentos que carregamos e dos comportamentos que repetimos. Tudo isso influencia diretamente a nossa vida, nossos relacionamento e a forma como vivemos a nossa fé. Por isso precisamos falar sobre nossa saúde integral, cuidar da mente é cuidar da alma, da história e da vida como um todo”, destacou.
Como surgiu o Janeiro Branco
O movimento começou em 2014, em Uberlândia (MG), criado pelo psicólogo Leonardo Abrahão e a inspiração veio de campanhas como Outubro Rosa e Novembro Azul, mas voltadas para um tema ainda rodeado por tabu: a saúde mental.
A justificativa é de que faltava uma campanha ampla e acessível, que tratasse de emoções, propósito, relações, ansiedade, depressão e prevenção ao suicídio de forma próxima do dia a dia. Janeiro foi escolhido por simbolizar recomeço, reorganização de prioridades e uma folha em branco para novas escolhas.
Desde então, o Janeiro Branco cresce no Brasil e alcança empresas, escolas, instituições públicas e a mídia. Em 2026, segue com o mesmo propósito: mostrar que cuidar da mente é um direito e uma responsabilidade coletiva, e não um luxo individual.
