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Casal que fará 60 anos de casamento celebrou união na Antiga Igreja Matriz
A construção da Igreja Matriz de Ivoti, hoje conhecida como Antiga Igreja Matriz ou Igreja Velha, é datada de 1890 e o prédio passou por dois incêndios e diversas obras de renovação. Em junho de 1857 foi inaugurada a parte inicial do prédio que sofreu mudanças e alterações em 1889, culminando com conclusão da construção da torre, ampliação da nave e abertura de duas portas laterais, em 1890.
O casal Cecília Ortega Schneider, 90 anos, e Vitor Erni Schneider, 83 anos, vão comemorar 60 anos de união matrimonial em 22 de janeiro e o casamento foi na Antiga Igreja, em 1966. A história do casal é marcada por companheirismo e recordações. No dia do casamento, os noivos se encontraram pela manhã e, após o almoço, desceram para o casamento no civil, que foi seguido da cerimônia religiosa na igreja, celebrado pelo padre Luiz Jacob e de uma festa realizada em um galpão que ficava atrás do Bar do Gordo. Depois da festa, o casal foi com um carro de praça (táxi) já contratado, para Gramado, onde passaram 15 dias de lua de mel no Park Hotel.
“Minha cunhada Isah foi junto comprar o vestido, ele era todo branco com bordados e tinha um véu longo”, recorda Cecília sobre o dia do casamento. O vestido foi feito por uma costureira especialmente para ela e, anos mais tarde, acabou sumindo. Ele ficava guardado em um baú junto com outras roupas da época da juventude de Cecília. “Ela estava muito bonita entrando na igreja toda de branco”, disse Vitor ao ouvir Cecília contar sobre o vestido de noiva. Eles também falaram sobre as diferenças nas festas daquela época, quando era tudo mais simples. A irmã de Vitor, Isah, veio uma semana antes para ajudar com os preparativos e preparar os doces para a festa, a decoração foi toda organizada pela igreja, nada comprado pelos noivos. E, como não tinham carro, precisaram contratar e combinar a disponibilidade desse carro de praça, que veio de Canoas, para atendê-los. Até um ônibus vindo de Canoas trazendo convidados, garantiu a alegria desse dia.
Atualmente Cecília e Vitor moram em Ivoti, mas após o casamento eles foram morar em Canoas, onde Vitor trabalhava em uma empresa de trator. Ficaram lá por cerca de dois anos, com o falecimento do sogro, Afonso, retornaram para a casa onde Cecília cresceu e passaram a morar com a mãe dela, Brasília e os filhos que já haviam nascido, Vitor Afonso Schneider e Jaqueline de Fátima Schneider, na época um bebê de colo. Eles ainda tiveram mais dois filhos Daniel Schneider e Thaís Aline Schneider e hoje tem seis netos: Bruno Seger, Mariane Ody Schneider, Henrique Ody Schneider, Thaiel Graeff Schneider, Thiago Graeff Schneider e Thobias Schneider Graeff.
Com o retorno para Ivoti, Cecília, que sempre foi muito religiosa logo se envolveu com as atividades da comunidade Católica, onde passou a atuar com catequista durante a semana. Aos sábados, Vitor também ministrava catequese e juntos se envolveram no Emaús, Tenda Shalon, Cursilho e Grupos de Oração. As aulas de catequese ocorriam dentro da Igreja Velha que havia sido divida em duas salas, Cecília lembra com carinho seu tempo de catequista e o contato com as crianças. Depois, quando a catequese passou a ocorrer no Ginásio, Cecília seguiu como catequista.
Hoje já são quase 60 anos de matrimônio e de uma história que iniciou na Antiga Igreja. Apesar de não recordarem informações sobre o incêndio, o casal acredita que não estava morando em Ivoti na ápoca, ambos lamentaram o ocorrido.
Incêndios
O primeiro incêndio registrado na Antiga Igreja Matriz ocorreu em 1924, 33 anos após sua inauguração. Os relatos populares contam a história de que crianças haviam entrado no local para caçar pássaros utilizando velas e que a queda de uma dessas velas teria principiado o sinistro. Na realidade, o que se sabe é que o incêndio teria sido causado por um curto circuito. O evento ocorreu em 19 de novembro, por volta das 13h30min. O padre João Willibaldo Schmitz respondia pela paróquia na época e estava em visita às capelas da comunidade. São os registros dele que contam a história do primeiro incêndio. Pouco menos de um ano depois, a igreja foi reinaugurada com festa, em 15 de novembro de 1925.
Em 1967, iniciaram as obras da nova Igreja Matriz e em 69 ela foi inaugurada. Com isso, o antigo prédio deixou de ser usado para celebrações e foi adaptado para sala de aula da Escola Paroquial São José. Em 1976, foi inaugurado no local uma sala de festividades com capacidade para 100 pessoas e, em 1979, uma discoteca.
As discussões sobre demolição do antigo prédio da igreja iniciaram em 1984 e, dois anos depois, em 1986, foi criada a Comissão Pró-Restauração, em 11 de setembro, e 5 dias depois, ocorreu o segundo incêndio o que desanimou o grupo que organizava a restauração do espaço.
Apenas em 1999 foi retomado o projeto de restauro, através de recursos sociais e econômicos conquistados pela associação local chamada ADECI (Associação de Cultura e Desenvolvimento Comunitário de Ivoti). O telhado foi restaurado em 2004 e em 2013, um espetáculo teatral da Valorize Assessoria, foi o marco de nova etapa de revitalização. Entre 2013 e 2017 as obras foram novamente interrompidas para o restauro da atual Igreja Matriz, em comemoração pelos 150 anos da Paróquia São Pedro Apóstolo.
O muro que cercava o cemitério foi derrubado em 2019, permitindo uma integração dos dois ambientes. Atualmente a Antiga Igreja Matriz é um espaço para receber exposições, como a Mostra Internacional dos Milagres Eucarísticos de São Carlo Acutis, que esteve por duas vezes em exposição no local.



