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Colorado de 92 anos diz ter perdido cadeira vitalícia do Beira-Rio após mudança em sistema
POR LUIS SOARES
Uma história envolvendo memória, paixão pelo futebol e indignação, se tornou o sentimento de um torcedor colorado. Aos 92 anos, o morador de Ivoti, Seu Darció Staudt, colorado fanático, não perdia um jogo importante do Inter, afirma ter perdido a cadeira vitalícia de sócio patrimonial familiar do Estádio Beira-Rio, adquirida ainda antes da inauguração da casa do Internacional. Segundo relato da família, Darció comprou o título no dia 8 de setembro de 1966, três anos antes da inauguração oficial do Beira-Rio, ocorrida em 1969. Na época, ele teria pago 7 mil cruzeiros pela aquisição das cadeiras, dele e de uma acompanhante, sua irmã, que atualmente mora na Alemanha. O valor foi quitado em 35 parcelas de 2 mil cruzeiros, conforme documentos guardados pela família.
De acordo com Darció, ele perdeu o direito às cadeiras porque não realizou a atualização cadastral do novo sistema de reconhecimento facial implementado pelo clube. O aposentado afirma que só descobriu a situação ao tentar entrar no clássico Gre-Nal, em 2025.
Foi impedido de entrar
Ao chegar às catracas do estádio, seu Darció foi impedido de acessar o local. A situação chamou atenção de outros torcedores, que passaram a pedir que o clube permitisse sua entrada. Após a mobilização, ele conseguiu entrar no estádio.
No entanto, ao chegar ao setor onde tradicionalmente assistia aos jogos, recebeu outra surpresa: as cadeiras já estavam ocupadas por dois novos sócios.
Segundo o relato, funcionários informaram que os lugares haviam sido vendidos para outra pessoa. Na ocasião, Darció e um amigo ainda conseguiram acompanhar a partida sentados no local, mas aquela teria sido a última vez.

“Disseram que eu perdi minhas cadeiras porque não fiz o reconhecimento facial”, relatou o torcedor.
Ainda conforme o idoso, o Internacional alegou que não conseguiu localizá-lo para informar sobre a necessidade de atualização cadastral. A justificativa, porém, gerou revolta na família.
Isso porque, segundo os familiares, o clube enviou cobranças normalmente para o endereço residencial do sócio em Ivoti.
“Para cobrar, encontraram o endereço. Mas para avisar sobre o sistema novo, não?”, questiona a família.
Agora, os familiares pedem a “repatriação” das cadeiras e afirmam que o espaço pertence legitimamente ao torcedor, que manteve o vínculo com o clube por quase seis décadas.

