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Com marido e filho doente, moradora de Dois Irmãos teve dois infartos e precisa de ajuda

27/03/2021 - 19h22min

Atualizada em 28/03/2021 - 15h18min

Pedro, Cleusa e a filha de sete anos, Emile, moram junto na casa com o outro filho, Jeferson. (FOTO: Cleiton Zimer)

Por Cleiton Zimer

Dois Irmãos – Há menos de um ano dona Cleusa Wagner da Costa, 46 anos, e seu marido Pedro Olir da Costa, 61 anos, viajaram mais de 220 quilômetros e vieram de Cerro Branco para Dois Irmãos buscando por melhores condições de vida. Trouxeram consigo seus dois filhos, a pequena Emile Vitória da Costa, 7 anos, e Jeferson da Costa, 19 anos. Juntos há cerca de 32 anos o casal colocou o pé na estrada acreditando em um novo futuro.

Entretanto a vida prega peças e desde que vieram as dificuldades foram se somando dia após dia, chegando ao ponto do fardo ficar pesado demais para ser carregado sozinho. A possibilidade de um novo emprego não se concretizou. O marido e o filho estão doentes sem poder trabalhar; a esposa, preocupada, já teve dois infartos pois a família não está tendo como se sustentar. Por não conhecer quase ninguém eles não pediram ajuda e foram se virando do jeito que dava mas, na semana passada, uma vizinha viu a situação deles e se solidarizou. De lá para cá, a região se comoveu com a história da família e muitos já ajudaram, mas, muito ainda precisa ser feito.

Em busca e uma oportunidade melhor, os problemas começaram a se somar dia após dia (FOTO: Cleiton Zimer)

Em busca de uma vida melhor

Eles tem outras três filhas; duas moram em Santa Catarina e a outra, em Dois Irmãos. Por já ter uma filha no município escolheram vir para cá. Trabalharam na lavoura durante anos em Cerro Branco e, esperançosos de encontrar novas oportunidades de emprego e, também, melhores condições na saúde pública, decidiram fazer desse pedaço de chão o seu novo lar. Cleusa conta que tinha suspeita de câncer de mama ao sair de Cerro Branco e que lá o atendimento na saúde era precário. “Ao chegar aqui meu seio estava muito inchado, eles não davam um diagnóstico certo e me enrolaram por quatro meses. Em Dois Irmãos logo me medicaram e hoje estou bem”, disse. Contou ainda que o filho fez uma cirurgia lá na cidade e não teve acompanhamento e, portanto, terá de refazer o procedimento”.

Seu Pedro tem problemas graves na coluna, tendão e, para piorar, contraiu uma mancha e água no pulmão; o médico foi enfático: ele não pode mais fazer esforço; a cirurgia também é inviável pois pode deixá-lo paralítico. O filho Jeferson trabalhou durante o período de contrato em uma empresa e teve que parar devido a problemas urológicos e, agora, está aguardando por uma nova cirurgia. Dona Cleusa fez fichas em diversas indústrias e não foi chamada para trabalhar. Enquanto isso é necessário pagar aluguel, água, luz e se alimentar. Eles recebem R$ 130 de bolsa família, o que não é o suficiente nem para pagar os remédios; também, de três em três meses, ganham um rancho da assistência social.

Dois infartos de tanta preocupação 

Há menos de um mês, no auge da preocupação, Cleusa teve dois infartos. Ela já não sabia mais o que fazer. Na última terça-feira, 23, chegou a pensar em suicídio pois via sua filha menor pedindo comida e ela não tinha o que oferecer. “Muitas vezes a pequena me pedia uma fruta e eu tinha que chorar, dizer que não tinha”, recordou, emocionada. Além disso, estavam devendo dois meses de aluguel e sem perspectiva de entrar algum dinheiro. “Meu desespero era de ter que ir para a rua com as crianças”.

A dona de casa revela que em nenhum momento pediu ajuda. No mesmo dia em que pensou em suicídio sua vizinha Sara veio até a sua casa após notar uma fumaça. “Eu estava cozinhando com algumas tábuas de pinos, já há três meses que não tinha mais gás”, lamentou. Naquele momento a vizinha se comoveu e levou alguns alimentos do seu próprio freezer para a família poder ter o que comer. “Eu até disse para ela que naquela tarde eu pensei em sair correndo daqui e me jogar daquela ponte ou me enforcar”, desabafou.

A vizinha Sara divulgou a necessidade da família em grupos da região que buscam ajudar quem mais precisa. Em alguns dias, muitas boas ações aconteceram, desde doações de alimentos e, até mesmo, em dinheiro para quitar parte do aluguel de dois meses que estava atrasado. “Um anônimo me deu R$ 400”, contou. O custo de cada mês é de R$ 450. Ela revelou que o dono da casa foi compreensivo e “disse para não se preocupar que as portas vão se abrir; ele entendeu”.

“Estou buscando uma oportunidade profissional para me manter dignamente”

Uma das coisas que Cleusa mais quer é uma oportunidade profissional para poder ganhar seu dinheiro (FOTO: Cleiton Zimer)

Tudo o que Cleusa quer é trabalhar. “Estou buscando uma oportunidade profissional para me manter dignamente. Muitos até julgam a gente, dizendo que não queremos trabalhar. Não, a gente quer. Eu fui em todas essas firmas a pé, não tenho carro, bicicleta, não tenho; faço tudo a pé. Mas não fui chamada, até por causa do problema da pandemia”. Além da lavoura ela já trabalhou algum tempo como preparadeira em fábrica de calçados e possui um pouco de experiência no ramo.

Na manhã desse sábado ela ganhou a primeira oportunidade. Fará faxina todos os sábados de manhã em uma padaria. Hoje ela ganhou R$ 80 e está muito feliz por isso, mas, ao mesmo tempo, quer mais oportunidades para poder ganhar seu próprio dinheiro e não depender de ninguém. O filho está no aguardo de uma cirurgia que deve acontecer nas próximas semanas. Os medicamentos para dor que ele precisa são superiores à R$ 300, ou seja, a faxina aos sábados mal e mal paga o medicamento do filho que não é fornecido pelo SUS. Além disso, ela precisa comprar remédios para o coração, pressão, depressão e, também para o marido.

A filha de sete anos estuda e, felizmente, eles moram em frente à escola e toda semana podem pegar as atividades, pois não tem computador, nem notebook ou celular para acompanhar as aulas online. A pequena, sempre sorridente e alegre em meio a tantos problemas, já ganhou alguns brinquedos; está feliz e sonha em ser manicure um dia. Já até andou se maquiando com alguns batons que ganhou de doações.

Em análise 

A família encaminhou, através da Assistência Social, pedido para que o marido e o filho recebam o auxílio por incapacidade temporária do INSS. Porém, o pedido ainda está em análise e sem previsão.

Arroz e carne

Para o almoço desse sábado teve arroz e carne, somente (FOTO: Cleiton Zimer)

Ao meio dia desse sábado, 27, a reportagem esteve com a família. Desde terça-feira, 23, quando chegou no limite, dona Cleusa já está muito mais feliz e agora, esperançosa, graças à vizinha Sara e todos que ajudaram depois disso. Ela e o marido estavam cozinhando arroz com um pouco de carne. Hoje, não teve feijão para acompanhar. A esperança, agora, é que surja uma oportunidade profissional para ela, já que nem o marido e o filho de 19 anos podem trabalhar.

COMO AJUDAR

Mas, enquanto isso não acontecer, toda a ajuda à família é bem-vinda. Eles moram na Rua da Figueira, 251, no bairro Moinho Velho. O contato de telefone da dona Cleusa é 051 98028-4756. Ela não tinha celular e ganhou um antigo de doação. Ele é precário, mas, ajuda a família a se comunicar. A reportagem questionou o que mais estão precisando no momento e, humildemente, a única coisa que dona Cleusa disse foi “feijão e arroz”. No entanto, as necessidades são muitas e tudo virá para ajudar, principalmente alimentos e produtos de higiene. No sábado que vem, 3, será um dia especial: o aniversário de 47 anos de Cleusa.

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