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El Niño pode trazer frio intenso para o Sul do Brasil, mas por curtos períodos

02/03/2026 - 08h26min

Atualizada em 02/03/2026 - 09h07min

Uma análise realizada pela MetSul Meteorologia indicam um inverno com temperaturas acima da média par ao Sul do Brasil. No momento a atmosfera está sob influência remanescente da La Niña que impacta tanto o Brasil como o Hemisfério Norte. Já no inverno, entre junho e agosto de 2026, o cenário mais provável indica o Oceano Pacífico Equatorial em fase quente com um El Niño instalado e em intensificação.

Nesse sentido, a maioria dos modelos de clima com projeções para meses à frente indica neste momento que o inverno no Centro-Sul do Brasil em 2026 deve ter temperatura acima da média na maior parte das áreas do Sul, Centro-Oeste e a Região Sudeste do território brasileiro.

Nos últimos dois eventos de El Niño de maior intensidade, no inverno que marcou o começo do fenômeno, em 2015 e 2023, a estação não foi muito fria. Ao contrário, apresentou temperatura acima a muito acima da média no Centro-Sul do país. Em 2015, agosto foi extremamente quente. Em 2023, julho e agosto apresentaram temperatura muito acima da climatologia histórica em vários estados.

O El Niño pode trazer eventos pontuais de frio intenso para o Sul do Brasil, mas há pouca probabilidade de um inverno com temperatura baixa persistente. Segundo especialistas, o fenômeno climático tende a manter as temperaturas médias acima do normal e reduzir a frequência de frio intenso na região. No entanto, isso não significa que a neve esteja fora de questão. Em anos de El Niño, a combinação de umidade e instabilidade com incursões de ar polar pode gerar eventos de precipitação invernal, especialmente em agosto e setembro. Os invernos de 1957 e 1965, ambos sob forte El Niño, são lembrados por episódios de neve de grande relevância histórica no Sul do Brasil.

O que se espera, no entanto, é uma maior frequência de ciclones e episódios de tempo severo, especialmente no Sul do Brasil. Isso se deve à diferença de temperatura entre o frio mais intenso na Patagônia e o ar quente no Brasil em anos de El Niño. A previsão para o inverno de 2026 no Hemisfério Norte, marcada por uma ondulação do jato polar e do vórtice polar, pode se repetir na América do Sul. No entanto, se o sinal do El Niño prevalecer, a tendência é de um inverno mais quente que o normal.

Frio Extremo

Países do hemisfério Norte estão passando por períodos de frio extremo, de acordo com a MetSul. Grande parte dos Estados Unidos, muitos países europeus e parte da Ásia enfrentaram uma estação fria neste ano como há muito não se via.

Em Boston, na região da Nova Inglaterra, o frio prolongado impressiona mais pela duração do que pelos extremos absolutos. A cidade enfrentou mais de 200 horas consecutivas com temperatura abaixo de 0°C, a sequência mais longa em oito anos.

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