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Frutas Boa Vista: um jeito simples de ter uma vida saudável em Santa Maria do Herval

08/12/2021 - 11h07min

Atualizada em 08/12/2021 - 11h32min

Everton, Angélica e a filha Ana Carolina, colhendo pêssegos (FOTO: Cleiton Zimer)

Por Cleiton Zimer

Santa Maria do Herval – Estamos acostumados a ver tudo pronto nas prateleiras dos mercados. É só pegar (pagar, claro) e consumir. Mas, agora, você já pensou na experiência de ir você mesmo, junto com a sua família, colher as frutas da semana e vivenciar de perto a realidade da colônia, em meio à natureza?

Pois bem, isso está sendo possível através do empreendimento Frutas Boa Vista, na localidade de Boa Vista do Herval, em Santa Maria do Herval.

A propriedade, que é do jovem casal Everton Morschel, 32 anos, e Angélica Backes Morschel, 30 anos, junto com os pais de Everton, Claudete Mombah Morschel, 54 anos, e Paulo Morschel, 58 anos, foi aberta ao público no sistema colha e pague em outubro desde ano e, em poucas semanas, já conquistou vários clientes pela região e, até mesmo, de outros estados, que buscam por uma experiência diferente e saudável.

Angélica, Everton, Ana Carolina, Claudete e Paulo (FOTO: Cleiton Zimer)

Além disso, e provavelmente o mais interessante de tudo, é que eles não investem apenas em um segmento. Vendem queijos, mel, schmier, vinhos, batata, feijão, cebola, pesque e pague e outros produtos do interior. “As pessoas vêm comprar frutas, mas já levam um rancho completo”, explica Everton, ressaltando a importância de diversificar, até mesmo, para ter um respaldo de segurança caso haja alguma adversidade no clima, pragas, dentre outros.

A propriedade tem cerca de três hectares e aproximadamente dois mil pés de frutas. Agora é a temporada dos pêssegos. As demais variedades vêm conforme a época, tendo, ao longo do ano, uvas, bergamotas, laranjas, carambolas, ameixas, goiabas, dentre outros.

As árvores são baixas, qualquer pessoa consegue colher (FOTO: Cleiton Zimer)

As frutas, de grande variedade, são de qualidade. (FOTO: Cleiton Zimer)

Simplicidade e qualidade

O ofício da agricultura sempre fez parte da vida de Everton que, desde criança, aprendeu a lida da roça com os pais. Mas as circunstâncias da vida lhe levaram a trabalhar por longos anos na Indústria de Calçados Wirth de Boa Vista e, depois que ela fechou, continuou atuando na empresa de tecidos que abriu no mesmo local, até ela também encerrar as atividades.

Eu sempre plantava um pouco, fazia nos finais de semana, e depois que sai da fábrica comecei a ajudar o pai. Começamos devagarinho, aumentando aos poucos”, conta, explicando que agora os pessegueiros plantados nos últimos tempos – que são de inúmeras variedades – estão começando a entrar no terceiro ano, dando muitas frutas.

Everton mostra a fartura dos pessegueiros. (FOTO: Cleiton Zimer)

Antes a produção era vendida para varejistas da região, porém, como alguns pararam, fez-se necessário pensar em outras alternativas e, o colha e pague, já era uma possibilidade para agregar valor ao negócio, pois algumas pessoas já vinham diretamente na casa para comprar suas frutas e produtos.

Com o apoio da família, Everton e Angélica decidiram abrir a propriedade para público nesta safra de pêssegos e o resultado foi o melhor possível. “O pessoal está gostando muito, elogios diretos. A gente tenta atender bem. Somos simples aqui, mas estamos atendendo bem”, explica Everton.

Quando chegam os visitantes recebem uma sexta e podem percorrer a propriedade, com a ajuda deles, se necessário. “A gente tenta deixar eles a vontade, para que se sintam casa”, afirma Angélica.

Expansão em poucas semanas

Durante a semana Angélica trabalha em uma fábrica de calçados e, nos sábados e domingos, ajuda o marido no atendimento. Além disso, ela é a responsável por alimentar as redes sociais, através das quais muitos clientes de longe já vieram. “Das pessoas que vieram de fora, como do Rio de Janeiro e São Paulo, a maioria conheceu através das páginas do Instragram e Facebook”. Agora, nas últimas semanas, a movimentação tem sido intensa. “Não dávamos conta de atender o pessoal”.

Angélica ajuda o marido nos atendimentos aos finais de semana e alimenta as redes sociais. Durante a semana, trabalha em uma fábrica de calçados (FOTO: Cleiton Zimer)

A Emater do município também presta apoio com ideias. A Secretaria de Turismo, da mesma forma, tenta fomentar o negócio aliando-o aos eventos realizados, como uma recente caminhada na localidade.

Everton, porém, deixa claro que o objetivo é manter um crescimento ordenado dentro das possibilidades de atendimento. “Não adianta termos muito, e não termos qualidade e bom atendimento. Então, vamos ir devagar, dentro do que conseguimos”.

Além disso, outro empecilho para um aumento na produção é a falta de mão de obra qualificada para o serviço e, também, a burocracia para contratar alguém. “O problema maior é na época da poda. São poucos os que tem o conhecimento, não tem por aqui. Isso que torna difícil ampliar”. Com as árvores plantadas recentemente, a projeção é de uma super safra nos próximos anos, ou seja, vai ter serviço.

Nos próximos meses as uvas também estarão prontas para colheita (FOTO: Cleiton Zimer)

Planejamento

A temporada dos pêssegos vai até janeiro. Depois, conforme a época, vem ameixas, uvas, goiabas, citros. Terá frutas praticamente o ano todo, exceto no auge do inverno (nos meses de junho, julho, agosto – quando são feitas as podas).

Angélica explica que tudo é feito com conhecimento mas, também, através de tentativas. “A gente sempre vai plantando um, dois pés, e depois se der certo vamos plantando mais”.

Everton detalha que o lugar é de frutas de clima temperado. “Não adianta investir em variedades que não suportam muito frio”.

Everton também planta batatas, que vende muito bem (FOTO: Cleiton Zimer)

Novidade na região: uma árvore com 15 tipos de citros

A árvore que tem 15 variedades de citros (FOTO: Cleiton Zimer)

O trabalho detalhado de Everton deixa evidente o quanto gosta do que faz. Exemplo disso é uma pequena árvore de limão galego que fica perto de um açude. Fez vários enxertos e, hoje, ela produz 15 tipos de citros, dentre limões, laranjas, bergamotas, limas. “Fui fazendo, para bonito, e agora está produzindo direto”.

Everton também é muito requisitado na região para fazer as podas, o que já faz há muitos anos.

“Árvores acessíveis”

A filha do casal, Ana Carolina Morschel, de três anos, está sempre pela propriedade (FOTO: Cleiton Zimer)

O termo pode parecer estranho, mas é isso mesmo. Com a técnica de poda que possui, Everton fez com que todas as árvores sejam baixas, ou seja, acessíveis até mesmo para uma criança que acabou de começar a andar, colher as frutas, com a ajuda do terreno que é bem plano.

Tanto que a filha do casal, a pequena Ana Carolina Morschel, de três anos, está sempre pela propriedade com eles, colhendo suas frutinhas. E aí dos pais se não a levarem junto. Ela adora.

O espaço é ideal para pessoas de mais idade também. “Faz poucos dias que uma senhora de 90 anos estava aqui, colhendo”.

Quem quiser marcar uma hora para conhecer o local, pode procurar referências pelas redes sociais “Frutas Boa Vista”, ou, pelos telefones 051 99748-3403 / 051 99824-1193, com Angélica e Everton.

Para quem não entendeu a primeira foto, onde seu Paulo aparecia todo “branco”, é porquê ele estava espalhanco cal em um açude que acabara de ser esvaziado e, logo logo, estará disponível para o pesque e pague. A propriedade tem mais açudes (FOTO: Cleiton Zimer)

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