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Moradores do bairro Morada do Sol relatam que bagunça e som alto são constantes na rua

06/01/2026 - 09h00min

Atualizada em 06/01/2026 - 11h27min

Situação ocorreu na madrugada de quinta-feira, 1º | Créd. Imagens cedidas

Moradores do bairro Morada do Sol, em Ivoti, que não quiseram se identificar, se pronunciaram com relação ao vídeo divulgado nas redes sociais do Jornal O Diário referente a ameaça contra uma família venezuelana na virada do ano. Segundo eles, a situação é atípica para a cidade e o som alto não foi uma situação isolada.

Sete moradores se manifestaram em depoimentos enviados diretamente à redação do jornal O Diário da Encosta da Serra reforçando que o problema, em momento algum, foi a nacionalidade dos vizinhos e sim, a forma como se comportam. A maioria dos relatos é referente ao som alto em horários inoportunos, às crianças correndo sem supervisão na rua e um cachorro acorrentado no pátio que late o dia todo.

Paulo Linck, morador do bairro Morada do Sol, se pronunciou em suas redes sociais e também respondeu ao jornal. Ele falou sobre a situação e relatou as dificuldades enfrentadas. “Quero frisar mais uma vez que não tem nada a ver com xenofobia. Tem a ver com respeito, não interessa de onde a pessoa é, de onde veio e para onde vai. Eu também migrei pra cá. Sou da fronteira oeste do Paraná e vim na condição de migrante também. Sei os motivos que me trouxeram para cá, compreendo a situação de pessoas que tiveram que sair dos seu país para vir para cá. Mas eu, quando cheguei aqui, me adaptei as condições e a realidade da cidade. Com respeito, com educação, com civilidade. Coisa que essas pessoas não tem: senso de civilidade”, desabafou Paulo.

“Desde que os vizinhos venezuelanos se mudaram para nossa rua, há cerca de uns cinco anos, nunca mais tivemos paz. Na primeira noite já teve música alta, gente gritando até altas horas da madrugada. Durante o dia tem música alta também, não somos obrigados a ouvir as músicas deles. Os moradores daqui não fazem isso, mas eles fazem. O proprietário da casa foi notificado, mas disse que não podia fazer nada sobre isso, que tem que reclamar com a mulher que alugou a casa e que ela é responsável por todos os inquilinos”, afirmou um dos moradores. Segundo eles, as crianças ficam na rua jogando bola, andando de bicicleta e correndo risco de vida porque a rua é uma descida. “No pátio também tem um cachorro de médio a grande porte que viveu num cubículo desde que nasceu, acorrentado! Late dia e noite, o pobre coitado! Ganham caixas e caixas de rancho, leite e roupas. Mas muitas vezes jogam roupas no lixo. São desaforados e até os motoristas de aplicativos não querem mais levar essas pessoas, porque gritam dentro dos carros, podendo até causar acidentes. Não é apenas sobre a bagunça do final de ano, mas sim sobre o que vem acontecendo por anos. Não é apenas receber essas pessoas. Tem que ensinar como deve se portar diante da sociedade em que vieram morar.”, desabafam os moradores.

Outro morador também desabafou com relação a falta de sossego. “Antes de qualquer coisa, gostaria de deixar claro que essa reclamação não é sobre nacionalidade! É sobre respeito, empatia, limites! Pois desde o dia que essa casa foi alugada, os moradores [da rua] não tiveram sossego! Nessa rua a maioria são moradores antigos e consequentemente pessoas idosas que prezam pelo sossego e respeito!”, afirmou. Uma moradora relata que no terreno vivem três famílias venezuelanas. “As crianças ficam até altas horas na rua jogando bola, onde os pais já foram notificados pelo conselho tutelar e no início até acalmaram, mas depois de um tempo voltaram pra rua novamente e os carros às vezes precisam desviar das bolas das crianças. Eles tem um cachorro grande que late dia e noite e tem pessoa idosa que precisa tomar remédio pra conseguir dormir e outra coloca abafador no ouvido pra não escutar. Eu tive que mudar para o quarto dos fundos para não escutar tanto os latidos. Tenho pena desse pobre cachorro. Meio ambiente e protetores do município estão a par da situação do animal. A vizinhança toda está cansada dessa bagunça desde que eles vieram morar aqui”, disse.

No município de Ivoti existe uma lei municipal que gera infração administrativa e, fora essa lei municipal, tem a lei federal de Perturbação do Sossego, que é uma contravenção penal que ocorre pelo uso excessivo de som ou ruído que perturba a tranquilidade e o descanso alheios, podendo acontecer a qualquer hora do dia ou noite, não se limitando após as 22h. Essa lei envolve ações como festas altas, som automotivo, gritaria ou latidos, a fiscalização é da Brigada Militar e o vizinho autuado deve assinar um boletim de ocorrência.

A Brigada Militar informou que está ciente da situação corrida e esteve no local, mas a família venezuelana optou por não registrar ocorrência no momento. “Se tratando de um delito condicionado a representação, apenas confeccionamos um Boletim de Atendimento. Nesses casos é importante sempre ligar para o 190 e aguardar a chegada da guarnição para registrar o fato”, afirmou o tenente Luiz Fernando da Silva Quevedo.

Relembre o caso

Uma família venezuelana denunciou ter sido ameaçada por um vizinho durante uma confraternização de Ano Novo, na madrugada de quinta-feira, 1º de janeiro de 2026. De acordo com o relato de testemunhas, a família estava reunida em frente à própria residência, em uma mesa, compartilhando uma refeição por volta das 2h30, quando o vizinho, incomodado com a situação, se aproximou portando um facão de grandes proporções e um objeto semelhante a um chicote. O homem teria passado a ameaçar os presentes e, em seguida, quebrado objetos que estavam sobre a mesa.

Segundo relato, por pouco um dos homens não foi atingido no rosto pelo facão. As crianças da família não se feriram, pois estavam dentro da casa no momento da ocorrência. As vítimas afirmam que não reagiram fisicamente, tentando se defender apenas com palavras.

(Confira a matéria completa e o vídeo aqui)

 

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