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Polícia Civil indicia empresários por armazenamento e compartilhamento de material de abuso sexual infantil

09/07/2026 - 21h12min

Protesto foi realizado pela comunidade de Ivoti no domingo, dia 5, contra a decisão da Justiça que concedeu liberdade aos dois empresários | Créd. Bruno Wingert e Divulgação

INQUÉRITOS CONCLUÍDOS

Inquéritos foram encaminhados ao Judiciário, e agora caberá a Promotoria de Justiça de Ivoti e ao Ministério Público Federal decidir sobre a continuidade das denúncias

A Polícia Civil concluiu os inquéritos que investigavam dois empresários, moradores de Ivoti, por armazenamento e compartilhamento material de abuso sexual infantil. As investigações foram concluídas e resultaram no indiciamento dos dois suspeitos, os inquéritos foram enviados ao Poder Judiciário na última terça-feira, dia 7. Durante a apuração, foram apreendidos mais de 100 terabytes de arquivos relacionados aos crimes.

Os processos seguirão caminhos diferentes, conforme os delitos atribuídos a cada investigado. Daniel Gustavo de Paula, de 64 anos, foi indiciado por armazenar material contendo cenas de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes, crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O caso foi encaminhado à Justiça Estadual e ficará sob análise da Promotoria Pública de Justiça de Ivoti, que decidirá se apresentará denúncia. A pena prevista para o crime é de quatro anos de reclusão.

Já Jean Carlos Gernhardt, de 47 anos, foi indiciado por armazenamento e compartilhamento desse tipo de conteúdo. De acordo com a Polícia Civil, a perícia constatou que ele enviava arquivos para outras pessoas, o que torna o caso de competência da Justiça Federal.

Com isso, o inquérito foi remetido à Justiça Federal, cabendo agora ao Ministério Público Federal (MPF) avaliar o oferecimento de denúncia e a possibilidade de solicitar a prisão preventiva do investigado. A pena prevista para o crime é de três a seis anos de reclusão.

RELEMBRE O CASO

A investigação foi conduzida durante cerca de três meses pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Esteio, sob coordenação da delegada Luciane Bertoletti. Segundo a Polícia Civil, os investigados utilizavam plataformas de compartilhamento de arquivos, incluindo serviços acessados pela deep web e também pela internet convencional, para obter imagens e vídeos de abuso sexual infantil, zoofilia, entre outros arquivos.

Os dois foram presos em flagrante durante uma operação realizada no dia 26 de junho. No dia seguinte, foram colocados em liberdade após audiência de custódia, mediante o cumprimento de medidas cautelares. A Polícia Civil não pediu prisão preventiva no primeiro momento.

Durante a operação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em imóveis ligados aos investigados, sendo um na região central de Ivoti e um no bairro Jardim Panorâmico. Os policiais apreenderam computadores, notebooks, celulares, HDs externos, pendrives e outros dispositivos de armazenamento.

Em um dos imóveis, pertencente ao investigado de 64 anos, foram localizados aproximadamente 100 terabytes de arquivos, volume considerado pela Polícia Civil um dos maiores já registrados em investigações desse tipo no Rio Grande do Sul. Entre os materiais apreendidos havia conteúdo de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes, além de pornografia adulta e outros arquivos ilícitos.

No último domingo, dia 5, um protesto pacífico organizado por moradores de Ivoti reuniu cerca de 30 pessoas em uma passeata pelas ruas da cidade contra a decisão judicial que concedeu liberdade aos dois empresários. Os participantes carregavam cartazes pedindo justiça em relação ao caso.

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