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Produto que contaminou cervejas em Minas Gerais não é usado na região

Região – A contaminação de lotes de cervejas da marca Belorizontina, pertencente à Cervejaria Backer, de Minas Gerais, provocou interrogações em consumidores da bebida, em especial aos apreciadores dos produtos tidos como especiais ou artesanais. Aqui na região, porém, produtores garantem que não utilizam as substâncias monoetilenoglicol e dietilenoglicol, causadoras das intoxicações em quem ingeriu as bebidas contaminadas.

O Diário conversou com empreendedores da Encosta da Serra para entender um pouco do processo produtivo e para esclarecer que não há nenhum risco para o consumo das cervejas artesanais feitas aqui. Nas palavras dos proprietários, os processos têm como foco a segurança, de modo que os produtos anticongelantes utilizados no preparo, como o álcool, não oferecem risco para a saúde.

Na Cervejaria Origem, em Linha Nova, um dos sócios, Fábio Bier, afirma que com frequência são feitos cursos de capacitação em segurança alimentar. “Temos, por exemplo, equipamentos de inox, que impedem a ação de contaminantes, e temos uma preocupação e um respeito grande com o cliente”, comenta.

Segundo Bier, o fator humano é levado a sério no que se refere à produção das cervejas. A equipe é treinada para detectar inclusive as mínimas mudanças em tonalidade, gosto e cheiro da bebida, antes que ela seja engarrafada e distribuída. “Ao menor sinal de alteração, a produção é descartada”, revela o sócio da Origem. Ali, de duas a três pessoas estão envolvidas neste processo.

Orgânica

Ricardo, da SteinHaus: produção 100% orgânica (Créditos: Felipe Faleiro)

A SteinHaus, em Picada Café, já é reconhecida como a primeira cervejaria orgânica do Brasil. Assim, não há chance de haver agentes contaminantes. A cerveja é feita com água da chuva, que é devidamente tratada antes de sua utilização. Igualmente experiente, o proprietário Ricardo Fritsch opina sobre o problema que atingiu o produto mineiro.

“Em conversa com outros cervejeiros, temos quase certeza de que tudo surgiu no equipamento chamado trocador de calor, ou então foi sabotagem”, afirma ele. O trocador é uma máquina que recebe, de um lado, o mosto, ou seja, a mistura de malte com água sem fermento, fervido anteriormente em um tanque, e do outro a substância anticongelante.

Rigor na inspeção de equipamentos pode aumentar

A função do trocador é reduzir rapidamente a temperatura do mosto até aproximadamente 26º, evitando desta forma a contaminação. Quanto mais rápido este processo for feito, melhor. O erro, na avaliação de Ricardo, foi provavelmente na falta de manutenção do trocador, já que o anticongelante que entra na máquina não deve entrar em contato com a mistura que sai da fervura.

Assim como na Origem, no caso da SteinHaus o anticongelante utilizado também é o álcool. “Nós já fazemos inspeções no trocador a cada três meses, conforme sugere o fabricante. Penso que toda esta situação fará com que aumente mais ainda o rigor para a produção de cervejas artesanais, o que é positivo”, argumenta Fritsch.