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Programa Mulheres Protegidas já atendeu mais de 2 mil mulheres desde sua criação

23/01/2026 - 07h43min

Crédito: Vitória Constante/PMEV

Em Estância Velha, o Programa Mulheres Protegidas já atendeu 2.342 mulheres desde a sua criação em 2021. Atualmente são 170 mulheres em atividade plena no Centro Especializado em Assistência Social (CREAS), ou seja, em atendimento psicológico, atendimento para os filhos e recebimento de patrulhas da Guarda Municipal em suas casas.

A coordenadora do CREAS e assessora técnica do Programa Mulheres Protegidas, Carol Vanzin, destaca que desde a implementação do programa, Estância Velha não tem nenhum registro de feminicídio ou tentativa de feminicídio. “O programa foi criado por percebermos a necessidade de centralizar os atendimentos e foi transformado em Lei Municipal para garantir que não se perdesse nas trocas de governo. O CREAS atua em questões de violência de todas as ordens, seja contra idoso, mulher ou criança”, esclareceu Carol. Segundo ela, o fluxo de atendimento é dentro do CREAS, mas a base de apoio direta é a secretaria de segurança pública. “A medida protetiva não é o fim da violência, é o começo do trabalho de proteção. A Guarda Municipal faz essa fiscalização e é ela que torna a medida protetiva realmente efetiva”, afirmou.

O Programa, que vai completar seis anos em março conta com empresas parceiras e atua também no atendimento aos agressores e às crianças. Mulheres que estão com receio de ir até a delegacia, ou mesmo que não tem certeza de estarem sofrendo violência, podem procurar o CREAS, junto ao prédio da Assistência Social ou a Guarda Municipal para conversar. “Muitas não querem se expor, tem receio de chegar sozinhas na delegacia, nós fazemos o acompanhamento delas de forma protegida para fazer a denúncia e elas também podem fazer isso na delegacia online”, afirma Carol.

O programa é pioneiro na região e os municípios de Novo Hamburgo, Campo Bom, Alvorada, Cachoeirinha, São Leopoldo, Canoas e Esteio já buscaram formação para a criação de patrulhas e equipes para trabalhar nos moldes desenvolvidos em Estância Velha.

Mulheres tem buscado ajuda

De acordo com o delegado de Polícia Felipe Borba, titular da delegacia de Dois Irmãos e atuando interinamente em Ivoti, em 2025 não ocorreu nenhum feminicídio, entretanto, o número de ocorrências atendidas, o número de mulheres que buscam auxílio e de medidas protetivas, tem crescido nos últimos anos. “Em Dois Irmãos, por exemplo, nos últimos dois anos, dobrou o número de ocorrências, passando de 100 casos atendidos em 2023, 150 em 2024 e um pouco mais de 200 em 2025. É possível atribuir este incremento a uma maior consciência das mulheres sobre a importância de não aceitar os diversos tipos de violência e à eficiência dos órgãos policiais na atenção a estes casos. É do nosso interesse contribuir para que sigamos sem feminicídios em nossa região”, afirmou o delegado.

“Sabemos que o fenômeno é complexo, por envolver uma série de circunstâncias, fatores e causas, mas executamos com celeridade todas as medidas que estão dispostas na legislação, encaminhando com rapidez ao Poder Judiciário eventuais pedidos de prisão, de medidas protetivas e inquéritos policiais relativos à violência doméstica e familiar contra a mulher. Nossa orientação é no sentido de que as mulheres vítimas procurem auxílio, dirigindo-se à Delegacia com atribuição vinculada ao seu local de residência, ou à mais próxima, em caso de alteração de endereço, pois todos os órgãos policiais estão capacitados para atender este tipo de ocorrência”, afirmou. O delgado Borba comentou ainda que é comum algumas vítimas optarem ou serem instruídas a procurar uma Delegacia de Mulher, mas não é necessário, pois qualquer Delegacia tem atribuição, experiência e qualificação para o melhor encaminhamento destas ocorrências. “É sempre bom lembrar que o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher é dever de todos, de forma que denúncias anônimas podem ser encaminhadas às Delegacias de Polícia também. Em alguns casos, a vítima está com severa vulnerabilidade, sem condições sequer de buscar auxílio, sendo necessário que alguém tome a iniciativa de provocar os órgãos da rede de proteção”, concluiu.

Saiba quem são as sete vítimas de feminicídio no Estado

Em 2026 já foram registrados sete feminicídios no Rio Grande do Sul, o número alarmante neste primeiro mês do ano já supera as mortes registradas em dezembro de 2025, que foram seis. As vítimas tinham entre 15 e 59 anos e foram todas assassinadas por ex-companheiros, companheiros ou namorados.

O caso mais impactante foi de uma adolescente de 15 anos, Mirella Santos, morta em Sapucaia do Sul pelo namorado de 25 anos. Ela foi atingida por facadas no pescoço, no rosto e nas costas. Ele, que alegou legítima defesa, foi preso.

Além dela, também foram assassinadas uma mulher de 31 anos em Guaíba, a bombeira Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte. Letícia Foster Rodrigues, de 37 anos, em Canguçu, Marinês Teresinha Schneider, de 54 anos, em Santa Rosa. E em Porto Alegre, Josiane Natel Alves, de 32 anos, e Paula Gabriela Torres Pereira, de 39 anos.

Das sete vítimas, apenas duas tinha medidas protetivas contra os companheiros. A adolescente Mirella havia cancelado a medida protetiva em janeiro e Uiliana, que não tinha medida protetiva, estava retornando de assinar o divórcio e, seu ex-marido, é o único que ainda não foi preso.

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