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Rio Grande do Sul registra 5º dia seguido de temperaturas negativas, conforme a MetSul
O Rio Grande do Sul enfrenta uma onda de frio intensa. Esta quinta-feira (18) marcou o quinto dia consecutivo com temperaturas abaixo de zero no estado. Segundo levantamento da MetSul Meteorologia, 13 municípios registraram marcas negativas, número menor que os 22 de quarta-feira (17) e o recorde do ano, de 47 cidades na terça (16). Apesar da redução, o frio segue rigoroso.
Paralelamente, o Oceano Pacífico caminha para uma nova fase de aquecimento que deve reforçar o El Niño durante o inverno no Hemisfério Sul, conforme análise da MetSul. Dados indicam a formação de uma nova onda Kelvin no Pacífico Equatorial. O fenômeno transporta grandes volumes de calor das profundezas em direção ao Pacífico Central e Leste.
O desenvolvimento ocorre em um momento em que o Pacífico já apresenta volume expressivo de águas mais quentes que o normal abaixo da superfície. A combinação do reservatório de calor com o novo pulso aumenta o potencial para que o El Niño se intensifique nos próximos meses, podendo atingir nível muito forte e configurar um Super El Niño.
Cada El Niño tem características próprias. O evento de 2026-2027 deve repetir consequências já observadas, mas não necessariamente com a mesma intensidade. Neste ano, os reflexos devem ser sentidos com mais força a partir do segundo semestre, especialmente no fim do inverno e na primavera. Nos primeiros meses, a previsão é de chuva acima a muito acima da média em diversos pontos e temperaturas mais baixas no outono-inverno.
Sul será a região mais afetada
No Sul do Brasil, os efeitos costumam ser mais marcantes, com aumento significativo das chuvas e maior frequência de extremos. São comuns episódios de precipitação volumosa, elevando o risco de cheias e enchentes, principalmente no inverno e na primavera do primeiro ano do fenômeno e no outono do ano seguinte. Eventos extremos de chuva também podem ocorrer no verão.
As duas maiores enchentes da história gaúcha, 1941 e 2024, não ocorreram no primeiro ano do El Niño, mas no outono seguinte. Neste episódio, isso corresponderia a 2027. A MetSul destaca que o El Niño afeta todas as regiões, com menos chuva no Norte e mais precipitação no Sul. Nenhuma região, porém, deve ser tão impactada quanto o Sul. A experiência histórica mostra que o fenômeno traz chuva extrema, cheias de rios, enchentes e temporais severos de vento e granizo. A questão não é se haverá enchentes, mas quantas e de qual dimensão.
O período de maior risco será o segundo semestre, sobretudo o fim do inverno e a primavera, e o outono de 2027. Apesar do risco elevado de nova catástrofe, um El Niño mais intenso que o de 2023-2024 não significa repetição da enchente de maio de 2024. Não há relação direta entre a intensidade do fenômeno e a magnitude de um desastre. Grandes enchentes dependem de diversos fatores atmosféricos avaliados apenas em previsões de curto prazo.
