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Salários de até US$ 124 mil ano: falta de enfermeiros impulsiona programa que prepara brasileiros para carreira nos EUA

Mundo- A crescente demanda por enfermeiros nos Estados Unidos tem aberto uma oportunidade concreta para brasileiros que desejam construir carreira internacional de forma legalizada, com garantia de emprego, visto de trabalho e possibilidade de levar a família. Esse cenário favorável impulsionou a criação do programa Enfermagem Sem Fronteiras, desenvolvido pela Faculdade Factum em parceria com o Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano (ICBNA).
O envelhecimento acelerado da população norte-americana e a sobrecarga do sistema de saúde explicam a escassez de profissionais da enfermagem no país. Segundo o U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), os Estados Unidos devem abrir cerca de 440 mil novas vagas para enfermeiros nos próximos cinco anos.
A média de remuneração de enfermeiro nos Estados Unidos atualmente gira em torno de US$ 129 mil por ano, média de US$ 10.750,00 por mês. Todavia, muitos enfermeiros com prática avançada (Nurse Practitioners, NPs na sigla m ingês) ultrapassam US$ 150 mil, sendo que em alguns casos a remuneração pode chegar a mais de US$ 200 mil ano, dependendo da especialidade e do estado norte americano em que atuam.
O enfermeiro brasileiro Marlon Miranda, que atua há quatro anos na área de saúde mental no sistema prisional dos Estados Unidos, atualmente cursa mestrado para Nurse Practitioner em Psiquiatria. Com experiência prática no sistema de saúde norte-americano, Miranda, que já auxiliou mais de 450 enfermeiros brasileiros no processo de validação de diploma e orientação sobre as etapas necessárias para o exercício profissional nos Estados Unidos, atuará no programa do Cultural em parceria com a Factum.
Miranda contribuirá com orientações técnicas sobre o processo de validação e equivalência curricular, exigências dos Conselhos Estaduais de Enfermagem nos Estados Unidos (Boards of Nursing), preparação para o exame NCLEX e noções gerais sobre as etapas que envolvem contratação por empregadores norte-americanos. Após passar por todas essas etapas e conseguir uma colocação no mercado de trabalho dos EUA, o profissional pode levar a família (cônjuge e filhos menores de 21 anos), sendo que todos recebem o green card.
“A atuação do enfermeiro brasileiro nos Estados Unidos é plenamente viável, desde que o profissional compreenda que se trata de um processo estruturado, com exigências acadêmicas, regulatórias e linguísticas bem definidas. Quando essa preparação começa ainda na graduação, o caminho se torna mais seguro e estratégico. Ao alinhar formação acadêmica, domínio do inglês técnico, preparação estruturada para o exame NCLEX e compreensão das exigências dos Boards of Nursing, o estudante reduz incertezas, organiza melhor cada etapa do processo e se posiciona de maneira mais competitiva para o mercado internacional”, explica Marlon.
Preparação de inglês junto com graduação
Nesse contexto, o programa Enfermagem Sem Fronteiras do Cultural em parceria com a Factum integra a graduação em Enfermagem da Factum, com duração de cinco anos, ao ensino de inglês fluente e técnico, preparando o estudante desde o início do curso para uma carreira internacional. O objetivo é eliminar a principal barreira histórica enfrentada por enfermeiros brasileiros: a falta de proficiência no idioma.
“O Enfermagem Sem Fronteiras nasce para conectar nossos alunos a oportunidades reais no exterior. Construímos um percurso que integra formação acadêmica, idioma e carreira internacional, preparando o estudante para atuar nos Estados Unidos com segurança, competência e confiança”, afirma Bárbara Nissola, diretora-presidente da mantenedora da Factum, Centro de Ideias em Educação.
O programa, que inicia sua primeira turma em março de 2026, é ofertado como disciplinas eletivas ao longo da graduação. São dez disciplinas, uma por semestre, com carga de 1h30 semanal, totalmente ajustada à rotina acadêmica. Não é necessário ter conhecimento prévio de inglês. Ao final do curso, o aluno estará apto a realizar exames como TOEFL e NCLEX, exigidos para o exercício da enfermagem nos Estados Unidos.
Além da formação linguística, o programa inclui conteúdos alinhados a protocolos internacionais de saúde, como WHO, CDC e ANA, e promove conexões com hospitais e instituições de saúde no exterior.
Para o diretor executivo do Instituto Cultural, João Rios, a parceria reforça a vocação histórica da instituição. “O Cultural sempre teve como missão conectar pessoas a oportunidades globais por meio da educação e cultura. Este programa une nossa tradição no ensino de inglês, o reconhecimento da Embaixada Americana e a excelência acadêmica da Factum para criar uma formação verdadeiramente transformadora”, destaca.
Cultural: instituto histórico em nova fase
Fundado pelo escritor Érico Veríssimo, o Instituto Cultural do RS é um dos nomes mais tradicionais do ensino de inglês no estado. Após um período de dificuldades financeiras, a instituição vive um processo de renascimento e expansão. Sob a gestão de Paulo Afonso Pereira, que assumiu em 2024, o Cultural saiu de um déficit anual superior a R$ 900 mil reais para um cenário de retomada do crescimento.
Recentemente, o Instituto adquiriu a unidade do Yázigi Bom Fim, em Porto Alegre, e anunciou um plano de expansão que prevê pelo menos cinco novas escolas até 2027. Também foi relançado o programa Education USA, oferecendo orientação gratuita para estudantes interessados em cursar o ensino superior nos Estados Unidos.
Com tradição, credibilidade internacional e foco em educação com propósito, o Instituto Cultural e a Faculdade Factum unem forças para posicionar o Enfermagem Sem Fronteiras como um dos programas mais completos do país para quem deseja transformar a enfermagem em uma carreira global.
As inscrições para a primeira turma já estão abertas. Mais informações podem ser obtidas em:
https://enfermagemsemfronteiras.factumfaculdade.com.br/