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Polícia

Caso do iraniano: delegado Pepe conclui inquérito na semana que vem

Se forem por lesões graves, as penas podem variar entre um e 5 anos de reclusão e, se leves, até dois anos ou pena comunitária

16/01/2026 - 09h52min

Já foram ouvidos os autores das agressões, vítima e testemunhas / Créd. Cândido Nascimento

São José do Hortêncio – A Polícia Civil conclui na semana que vem o inquérito referente ao iraniano residente no Município, Vahid Rahimi, 37 anos, que foi agredido por um grupo de pessoas no final da festa da Virada do Ano e depois na Avenida do Parque, quando ele voltava para casa, com a camisa nas costas. Foram ouvidas nove pessoas, incluindo a vítima, o homem que prestou socorro e a levou para casa, os acusados da agressão e testemunhas.


RELEMBRANDO OS FATOS

A confusão aconteceu no final da Festa de Réveillon, realizada no Ginásio Municipal Clóvis Luiz Schaeffer. No local houve um desentendimento que ainda será avaliado. Nesta semana, o delegado Pepe viu os depoimentos e vai avaliar se existem contradições entre os depoentes. Ele é taxativo que não é caso de xenofobia (maltratar estrangeiro por discriminação) e sim um desentendimento entre as pessoas por palavras que foram supostamente ditas por Vahid e que os homens do grupo se sentiram incomodados e o mandaram sair, dizendo que eram casais que estavam ali.

Uma das envolvidas nas agressões disse que ele teria passado a mão em seu corpo e que ela reagiu com socos. Na sequência, o namorado dela partiu com socos para cima do iraniano e este teria revidado também com socos. Em entrevista ao Diário Vahid contou que foi questionado onde estava a sua esposa e ele foi mostrar a foto no celular quando começaram as agressões. A mesma versão ele deu à polícia.

O fato teve continuidade quando, um grupo de várias pessoas parou com três carros e alguns deles agrediram a vítima covardemente, quando esta voltava para casa, na Avenida do Parque, já quase na Avenida Mathias Steffens. Quando Spelin chegou, a vítima colocava sangue pela boca. Uma testemunha disse que um dos principais envolvidos estava “caçando” para ver se encontrava o Iraniano.


BOLETINS MÉDICOS

O Hospital São José de Ivoti colocou no laudo médico estava com náuseas, vômitos e confusão mental. Já no laudo do Moinhos de Vento consta que não houve evidência de derrame no tórax, nem fratura na face, e que não havia sinais de lesão ou hemorragias intracranianas. Também citado que os rins, baço e pâncreas estavam OK, sem anormalidades decorrentes de agressão.


PENAS POSSÍVEIS

Delegado está verificando as possíveis contradições nos depoimentos

Segundo o delegado Pepe, em tese, colocar a vida da vítima em perigo de morte pode ocasionar uma pena entre 1 e 5 anos de reclusão. O Artigo 129 do Código Penal, no parágrafo 1º e Inciso II reputa em agressão corporal grave. “Nada justifica a violência”, declarou a autoridade policial. Ele diz que num depoimento está claro que uma das agressoras falou “chega, chega” e o homem foi embora. No caminho, por volta das 4 horas da madrugada, encontraram ele na avenida e cerca de quatro pessoas iniciaram as agressões, com socos na cabeça, chutes nas nádegas e nas costelas. Ele ficou caído no chão até a chegada de André, o homem que o socorreu e que o levou para casa. Por volta das 10 da manhã o comandante Gelson, dos Bombeiros de São José do Hortêncio e equipe do Posto de saúde convenceram Vahid a ir para o hospital, em Ivoti.

Contudo, a partir do laudo oficial do Departamento Médico Legal de Novo Hamburgo (DML) é que vai se ter um caminho para a pena. Se for referente a lesões leves, vai para o Juizado Especial Criminal (Jecrim) e a pena é até dois anos de reclusão e pode ir para uma composição penal, com pagamento em dinheiro para repor gastos com hospitais e medicamentos, sendo passível de pagar de um a dois salários mínimos ou pena comunitária e com cestas básicas.

 

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