Conecte-se conosco

Polícia

Polícia Civil prende protetora de animais e veterinários por suposto esquema de eutanásias e fraudes com doações na região

15/06/2026 - 10h21min

Créd. Polícia Civil

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, nesta segunda-feira (15), a segunda fase da Operação Carrasco, que investiga um suposto esquema de maus-tratos a animais, associação criminosa e estelionato envolvendo uma protetora de animais e dois médicos veterinários em Canoas.

Durante a ação, agentes cumpriram três mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão. Foram recolhidos celulares, computadores e outros materiais que auxiliarão na continuidade das investigações. Um cão debilitado, sem as patas dianteiras e que era utilizado em campanhas de arrecadação de recursos pelas redes sociais, também foi apreendido.


Investigação aponta eutanásias sem esgotar possibilidades de tratamento

Segundo a Polícia Civil, a principal investigada utilizava sua imagem ligada à proteção animal para arrecadar dinheiro por meio de transferências via Pix e campanhas virtuais destinadas, supostamente, ao tratamento de cães e gatos resgatados. No entanto, a investigação aponta que diversos animais eram submetidos à eutanásia mesmo quando ainda existiam alternativas terapêuticas.

Em um dos casos analisados pelos investigadores, uma veterinária teria questionado a necessidade de realizar exames para confirmar o diagnóstico de cinomose antes de qualquer decisão sobre o animal. Conforme a apuração, a então responsável autorizou diretamente a eutanásia, sem a realização do teste específico recomendado para confirmação da doença.

A polícia também identificou que, na mesma época, a investigada divulgava nas redes sociais pedidos de ajuda financeira para custear o tratamento do animal que, segundo as investigações, já tinha sua morte autorizada.

Outro episódio investigado envolve um animal com suspeita de esporotricose. Embora uma veterinária tenha informado que havia possibilidade de tratamento, a investigação aponta que a orientação recebida foi para realizar “o que tem que ser feito”, expressão interpretada pelos policiais como autorização para a eutanásia.


Esquema teria continuado após saída da Secretaria

A investigação teve origem na primeira fase da Operação Carrasco, realizada em setembro de 2025, quando foram cumpridos mandados na Secretaria Especial de Bem-Estar Animal de Canoas (Sebea), na residência da investigada, em um sítio ligado à sua associação de proteção animal e na casa de uma médica veterinária vinculada ao órgão.

Após a análise do material apreendido, os investigadores concluíram que o número de eutanásias realizadas era significativamente superior ao registrado em anos anteriores e incompatível com o perfil dos animais atendidos.

De acordo com a Polícia Civil, mesmo após deixar o cargo de secretária, a investigada teria mantido o funcionamento do esquema por meio de sua associação instalada em um sítio.


Mais de R$ 670 mil arrecadados

Conforme a investigação, a suspeita atuava desde 2020 promovendo campanhas de arrecadação. Ao todo, foram identificadas 549 vaquinhas virtuais, que teriam arrecadado R$ 672.670,39 de 14.545 apoiadores.

A delegada Luciane Bertoletti afirmou que a operação busca esclarecer a dimensão do caso e identificar quantos animais podem ter sido vítimas do esquema.

“A morte de cada cão não era um ato de piedade, mas um ato de lucro. A polícia agora busca os registros de microchip de todos os animais que desapareceram para tentar identificar quantas vidas foram sacrificadas em nome de arrecadações financeiras”, declarou.

Já o delegado Cristiano Reschke destacou a gravidade da investigação e a suposta utilização do sofrimento animal para obtenção de recursos.

“O que a Operação Carrasco desvendou foi um cenário de crueldade extrema e manipulação da solidariedade pública. Enquanto pessoas acreditavam estar contribuindo para tratamentos e recuperação dos animais, a investigação aponta que muitos deles eram submetidos à eutanásia”, afirmou.


Investigações continuam

A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento para apurar a quantidade de animais envolvidos, a destinação dos recursos arrecadados e a eventual participação de outras pessoas no esquema.

Conteúdo EXCLUSIVO para assinantes

Faça sua assinatura digital e tenha acesso ilimitado ao site.