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Vereador de Estância Velha é investigado por contribuir com esquema de ameaças para influenciar parlamentares sobre a compra do prédio da antiga Paludo

15/05/2026 - 09h07min

Atualizada em 15/05/2026 - 09h47min

Créd. Polícia Civil

Uma operação da Polícia Civil realizada na manhã desta sexta-feira (15) apura um suposto esquema de corrupção, coação e influência política relacionado à compra do prédio da antiga Paludo, em Estância Velha. A ação, denominada Operação Expropriatus, é conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de São Leopoldo, coordenada pelo delegado Ayrton Figueiredo Martins Júnior.

De acordo com as investigações, o grupo suspeito teria atuado para influenciar decisões da Câmara de Vereadores de Estância Velha por meio de ofertas de vantagens indevidas e ameaças direcionadas a parlamentares. O objetivo seria garantir a aprovação da aquisição do imóvel, considerado um projeto de grande impacto financeiro e político para o município.

Mandados foram cumpridos em Estância Velha e Novo Hamburgo

Ao todo, cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diferentes endereços da região. Entre os investigados está um ex-vereador de Novo Hamburgo, apontado pela polícia como um dos articuladores do esquema. Um vereador atualmente em exercício em Estância Velha também é alvo da investigação por suspeita de participação nas ações apuradas.

As buscas ocorreram nos bairros Rincão dos Ilhéus, em Estância Velha, e Jardim Mauá, em Novo Hamburgo. Durante a operação, os policiais recolheram documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que podem auxiliar no avanço das investigações e na identificação de possíveis novos envolvidos.

Compra do imóvel é alvo da investigação

A investigação tem como principal alvo o prédio da antiga Paludo, situado na Rua Eça de Queiroz, nº 73, em Estância Velha. O imóvel foi desapropriado pela prefeitura por cerca de R$ 7 milhões e deverá abrigar setores administrativos do município. A desapropriação foi oficializada em janeiro de 2026 pelo prefeito Diego Francisco.

Conforme a Draco, há suspeitas de que vereadores tenham sofrido pressão e recebido propostas de vantagens indevidas para apoiar a aprovação da compra do prédio. A polícia apura a possível participação de agentes políticos e outras pessoas ligadas ao caso.

Os investigados podem responder por crimes como corrupção ativa, associação criminosa e coação no curso do processo. Até o momento, a Polícia Civil não confirmou prisões nem divulgou detalhes sobre materiais apreendidos durante a operação.

NOTA DA PREFEITURA  

“A Prefeitura de Estância Velha informa que tomou conhecimento da operação policial divulgada nesta sexta-feira, 15 de maio, e acompanha os fatos com surpresa, uma vez que a desapropriação do referido prédio sequer passou por análise da Câmara de Vereadores.

A Administração Municipal reforça que todos os procedimentos relacionados ao tema foram conduzidos dentro dos ritos técnicos e legais previstos pela legislação vigente, seguindo os encaminhamentos administrativos competentes, tendo sido, a legalidade do procedimento, analisada no âmbito do Ministério Público. O ato de desapropriação, portanto, não tem nenhuma relação com o poder legislativo.

O Município reafirma que não compactua com qualquer prática irregular, tentativa de interferência indevida ou conduta que contrarie os princípios da legalidade, da ética e da transparência na administração pública. A Prefeitura permanece à disposição dos órgãos competentes para colaborar, dentro dos limites legais, com todos os esclarecimentos necessários.”

NOTA DA CÂMARA DE VEREADORES

A Câmara de Vereadores de Estância Velha informa que tomou conhecimento da operação policial noticiada nesta sexta-feira, 15, e acompanha os fatos com a seriedade que o caso exige, respeitando o trabalho das autoridades competentes e o regular andamento das investigações.

O Poder Legislativo reafirma que não compactua com qualquer forma de ameaça, coação, tentativa de corrupção ou interferência indevida na atuação parlamentar. A Câmara de Vereadores permanece à disposição dos órgãos de investigação para colaborar, dentro dos limites legais, com todos os esclarecimentos necessários.

A Câmara de Vereadores também ressalta que os trabalhos institucionais seguem normalmente e que a apuração dos fatos deve ocorrer com responsabilidade, equilíbrio e respeito ao devido processo legal, à presunção de inocência e à imagem da instituição perante a comunidade estanciense.”

 

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