Polícia
Vereador de Estância Velha é investigado por contribuir com esquema de ameaças para influenciar parlamentares sobre a compra do prédio da antiga Paludo
Uma operação da Polícia Civil realizada na manhã desta sexta-feira (15) apura um suposto esquema de corrupção, coação e influência política relacionado à compra do prédio da antiga Paludo, em Estância Velha. A ação, denominada Operação Expropriatus, é conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de São Leopoldo, coordenada pelo delegado Ayrton Figueiredo Martins Júnior.
De acordo com as investigações, o grupo suspeito teria atuado para influenciar decisões da Câmara de Vereadores de Estância Velha por meio de ofertas de vantagens indevidas e ameaças direcionadas a parlamentares. O objetivo seria garantir a aprovação da aquisição do imóvel, considerado um projeto de grande impacto financeiro e político para o município.
Mandados foram cumpridos em Estância Velha e Novo Hamburgo
Ao todo, cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diferentes endereços da região. Entre os investigados está um ex-vereador de Novo Hamburgo, apontado pela polícia como um dos articuladores do esquema. Um vereador atualmente em exercício em Estância Velha também é alvo da investigação por suspeita de participação nas ações apuradas.
As buscas ocorreram nos bairros Rincão dos Ilhéus, em Estância Velha, e Jardim Mauá, em Novo Hamburgo. Durante a operação, os policiais recolheram documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que podem auxiliar no avanço das investigações e na identificação de possíveis novos envolvidos.
Compra do imóvel é alvo da investigação
A investigação tem como principal alvo o prédio da antiga Paludo, situado na Rua Eça de Queiroz, nº 73, em Estância Velha. O imóvel foi desapropriado pela prefeitura por cerca de R$ 7 milhões e deverá abrigar setores administrativos do município. A desapropriação foi oficializada em janeiro de 2026 pelo prefeito Diego Francisco.
Conforme a Draco, há suspeitas de que vereadores tenham sofrido pressão e recebido propostas de vantagens indevidas para apoiar a aprovação da compra do prédio. A polícia apura a possível participação de agentes políticos e outras pessoas ligadas ao caso.
Os investigados podem responder por crimes como corrupção ativa, associação criminosa e coação no curso do processo. Até o momento, a Polícia Civil não confirmou prisões nem divulgou detalhes sobre materiais apreendidos durante a operação.
NOTA DA PREFEITURA
“A Prefeitura de Estância Velha informa que tomou conhecimento da operação policial divulgada nesta sexta-feira, 15 de maio, e acompanha os fatos com surpresa, uma vez que a desapropriação do referido prédio sequer passou por análise da Câmara de Vereadores.
A Administração Municipal reforça que todos os procedimentos relacionados ao tema foram conduzidos dentro dos ritos técnicos e legais previstos pela legislação vigente, seguindo os encaminhamentos administrativos competentes, tendo sido, a legalidade do procedimento, analisada no âmbito do Ministério Público. O ato de desapropriação, portanto, não tem nenhuma relação com o poder legislativo.
O Município reafirma que não compactua com qualquer prática irregular, tentativa de interferência indevida ou conduta que contrarie os princípios da legalidade, da ética e da transparência na administração pública. A Prefeitura permanece à disposição dos órgãos competentes para colaborar, dentro dos limites legais, com todos os esclarecimentos necessários.”
NOTA DA CÂMARA DE VEREADORES
“A Câmara de Vereadores de Estância Velha informa que tomou conhecimento da operação policial noticiada nesta sexta-feira, 15, e acompanha os fatos com a seriedade que o caso exige, respeitando o trabalho das autoridades competentes e o regular andamento das investigações.
O Poder Legislativo reafirma que não compactua com qualquer forma de ameaça, coação, tentativa de corrupção ou interferência indevida na atuação parlamentar. A Câmara de Vereadores permanece à disposição dos órgãos de investigação para colaborar, dentro dos limites legais, com todos os esclarecimentos necessários.
A Câmara de Vereadores também ressalta que os trabalhos institucionais seguem normalmente e que a apuração dos fatos deve ocorrer com responsabilidade, equilíbrio e respeito ao devido processo legal, à presunção de inocência e à imagem da instituição perante a comunidade estanciense.”