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“Precisamos pensar de forma mais humana e solidária”, diz psicóloga de Dois Irmãos

Dois Irmãos – A psicóloga Juliana Paez Tonidandel, de Dois Irmãos, concedeu uma entrevista online para o Diário e esclareceu algumas dúvidas, além trazer ao debate orientações de como agir frente às pessoas diagnosticadas com coronavírus, assim como lidar com quem está enfrentando a quarentena, que também necessita de cuidado para a saúde mental da comunidade:

Qual a melhor forma de ajudar a pessoa que está com suspeita ou diagnosticada com coronavírus?

Juliana – Pegar o coronavírus não é uma questão de escolha, mas de probabilidade. E, para isso, é necessário analisarmos o contexto que a pessoa pegou a doença, antes de sairmos julgando, apontando ou discriminando quem pegou. Se não sabe o contexto dessa contaminação, não julgue. Isso pode acontecer com qualquer pessoa. O ser humano julga aquilo que não conhece, pois partimos dos nossos pressupostos para darmos nossa opinião. Precisamos escutar mais, falar menos, a sabedoria está em observar, se apropriar da verdade, para então saber se precisamos ou não apontar o que pensamos. Para quem pegou, o sofrimento é ainda maior, pois o isolamento é total, inclusive da própria família. Saber que se carrega um vírus altamente contagioso e não poder dividir o problema com quem amamos, é um peso muito grande. Ninguém quer ser portador dessa doença, precisamos pensar de forma mais humana e solidária, porque o principal nestes casos deixa de ser a doença, mas a cura. Queira o outro bem, mentalize o bem para o mundo, precisamos trabalhar a coletividade e não o individualismo e preconceito.

Como podemos ajudar um amigo que está distante ou fora do isolamento?

Juliana – A melhor forma de ajudar quem está fora do isolamento é através da conscientização coletiva, mostrar que o bem de uma sociedade está em trabalharmos juntos. E para combater uma doença tão contagiosa é preciso se comprometer. Por que sacrificar o coletivo em prol da individualidade? Precisamos refletir sobre isso. A conscientização precisa ser pela empatia, e não pelo julgamento. Aprender a se colocar no lugar do outro, compreender que perante a doença, somos todos iguais. Ajude quem está próximo de ti, através da comunicação gentil e não agressiva. Para quem está com familiares infectados, podemos enviar força, pensamentos positivos, mensagens do bem, mentalizar a cura destas pessoas. A positividade eleva o que há de melhor dentro de nós.

Quais são as principais reações que as pessoas podem ter ao viverem apenas dentro de casa?

Juliana – O confinamento é um processo que pode adoecer as pessoas, pois somos seres humanos criados para viver em sociedade. Para lidarmos com este momento, é fundamental pensar o que precisamos colocar em dia na nossa vida, na nossa casa, e nas nossas relações. É um momento para focarmos em nós, em tudo aquilo que deixamos de lado por conta da rotina corrida. É um momento que pede reflexão, mas também criatividade, que possamos ser criativos na construção de novos momentos. Quando fugimos dessa reflexão, negamos a nós mesmos a oportunidade de nos conhecermos e isso pode gerar um aumento na ansiedade, pensamentos negativos, medos, angústias, preocupações e podendo levar ao pânico. Pratique o autoconhecimento.

Sugestões do que pode ser feito em casa enfrentar os dias de quarentena?

Juliana – Primeiro: faça uma lista de coisas que estão pendentes em sua vida. Dois: numere por prioridades, do mais importante ao menos. Terceiro: estabeleça uma rotina para dentro de casa, da mesma maneira que estabelece quando sai para trabalhar. Quarto: não procrastine. Use a criatividade e desconecte para o viver o presente da melhor forma possível. Estamos todos juntos.

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