Região
Agricultor, Arthur Steffen completa 100 anos e família organiza festa no Franckenthal
Família prepara uma grande festa neste sábado (7),
com missa e almoço comunitário
Mauri M.ToniDandel
Morro Reuter – Completar 100 anos é para poucos. E, em Morro Reuter, a comunidade de Franckenthal tem um motivo especial para celebrar: o centenário de Arthur Steffen. Ele nasceu no dia 5 de março de 1926, na mesma casa onde vive até hoje.
Um século depois, continua cercado pela família e pelas lembranças de uma vida inteira dedicada à terra, à fé e à comunidade.
Arthur é filho de João Steffen e Carolina Steffen. Nasceu na propriedade da família e só saiu dali quando casou.
Depois de um período morando em outra área próxima, voltou para cuidar da mãe. Hoje, vive novamente na casa onde nasceu, junto com a família do filho caçula, Jair.
Essa ligação com o mesmo chão por 100 anos é algo raro — e diz muito sobre suas raízes.
Nessa semana, seu Arthur foi cortar o cabelo na Barbearia do Nestor e se preparar para a festa
14 filhos e uma família que mora por perto
Arthur é viúvo, foi casado com Maria Alzira Steffen (in memoriam), com quem teve 14 filhos: José Nelson, Geraldo, Lauro, Lucia, Alípio, Flávia, Lauri, Romeu, Ricardo, Antônio, José Luís, Luis José, Pedro e Jair.
Arthur é viúvo, foi casado com Maria Alzira Steffen (in memoriam)
Atualmente, dez filhos estão vivos — e todos moram nas proximidades ou cidades próximas. Ou seja, a família cresceu, mas nunca se afastou. E esse pode ser um dos segredos da longevidade dele: convivência, presença e união.
Arthur na varanda da casa onde nasceu e vive até hoje (Créd. Mauri M.T.Dandel)
Agricultura familiar: plantava de tudo e comprava quase nada
Arthur sempre trabalhou na lavoura. Desde jovem, viveu da agricultura familiar. Arthur recebeu a reportagem em casa, com seus filhos na tarde de quarta, 4, e a família destacou que ele sempre plantava de tudo. “Naquela época, a família praticamente não comprava alimentos fora. Só açúcar e farinha de trigo”, relembram os filhos, destacando que o restante vinha da própria terra.
Arthur sempre foi bastante ativo até o ano passado (Créd. Mauri M.T.Dandel)
A principal colheita era batata inglesa, que ele plantava e vendia. Os compradores eram conhecidos na região, como Algemiro Fleck e, mais tarde, Aloísio Steffen.
Além disso, criava vacas para leite de consumo, porcos para alimentação da família, tinha galinhas e vendia ovos e manteiga para comprar o que faltava
ESTUDAVA
Arthur frequentou uma escolinha próxima de casa. Na época, usava carvão e escrevia em lousas de pedras. “Era escolinha e igreja, tudo junto”, relembra.
Mais tarde, a família participou da construção da igreja do Franckenthal, doando as terras para que ela fosse erguida.
Os filhos também lembram que Arthur jogava futebol com eles no potreiro da propriedade. “Ele era o goleiro”, relembra um deles.
Além disso, também jogava Schafkopf, tradicional jogo de cartas trazido pelos imigrantes alemães.
Arthur sempre foi muito ativo e até o ano passado, Arthur ainda ajudava a rachar lenha e capinar, mas “depois de um gripão mais forte, precisou diminuir o ritmo”, conforme explica a nora Noêmia.
“Hoje conversa normalmente, participa da rotina da casa e segue comendo bem”, destaca outro filho.
Outro costume do centenário Seu Arthur é que não abre mão de uma cervejinha, dia sim, dia não. E também não abre mão de ser Brahma, marca que sempre tomou desde a juventude. Aliás, seus amigos todos, de idades parecidas, já faleceram.
GRÊMIO
Gremista, Arthur foi capa do Diário há 10 anos quando foi assistir Grêmio e Corinthians, no Dia dos Pais, levado por um neto. Na época, o Diário fez uma reportagem contando um pouco dessa história. Mas, também, para acompanhar um dos filhos colorados, também já foi no Beira Rio.
Festa de 100 anos reúne comunidade em Franckenthal
O aniversário foi ontem, mas a comemoração oficial acontece neste sábado (7), no Franckenthal. A programação será com missa às 10 horas e depois churrasco para amigos e familiares no salão, que já está todo decorado.
Completar 100 anos em Franckenthal, em Morro Reuter, não é apenas um número. É uma trajetória inteira que se confunde com a própria história da comunidade.
E neste 5 de março de 2026, a cidade celebra mais do que um aniversário: celebra um século de memória, trabalho e família.
Arthur com filhos Pedro, Antônio, Noêmia (nora) e Jair (Créd. Mauri M.T.Dandel)