Região
Cão vítima de agressão em Ivoti, recebe novo lar temporário e segue processo de recuperação
Após um episódio de extrema crueldade que comoveu a comunidade de Ivoti e região, o cão Aloka, de aproximadamente 10 anos, já tem um novo endereço para seguir o tratamento e recomeçar a vida. O animal, encontrado com ferimentos provocados por lâmina na última quarta-feira (11), recebeu neste sábado (15) um lar temporário oferecido pela publicitária e professora Daiana Santana Souza, moradora do município.
Até então, Aloka permanecia sob cuidados da clínica veterinária Recanto dos Bichos, à espera de que alguém pudesse acolhê-lo temporariamente ou de forma definitiva. Assim que soube do caso e da necessidade urgente de um espaço para recuperação, Daiana decidiu agir. “Sou moradora de Ivoti. Decidi acolhê-lo quando soube do ocorrido. Já tenho outros cães abandonados na minha casa, que foram acolhidos para se recuperar de maus-tratos. Então, criei um espaço para o Aloka na minha casa”, relata.
DECISÃO E RECUPERAÇÃO DE ALOKA
O caso ganhou ampla repercussão nas redes sociais e sensibilizou a comunidade, inclusive Daiana. No entanto, para ela, a história precisava ter um desfecho diferente para o cão, assim decidiu transformar esse sentimento em uma atitude concreta.
“Vivemos tempos difíceis. Há uma banalização da violência, em todas as suas formas. Assim que soube das agressões que ele sofreu, não consegui pensar em outra maneira de ajudá-lo, que não fosse através de oferecer moradia, afeto, cuidado e paz. Nenhum ser vivo deveria passar pelo que ele passou. Infelizmente, vemos casos assim todos os dias, mas acredito que histórias com um desfecho positivo devem se sobressair às ruins. Por isso, acolhendo o Aloka seria uma forma de dar um desfecho positivo.”
O primeiro contato foi marcado pela tranquilidade. Apesar do estranhamento inicial dos outros animais da casa, a adaptação ocorreu sem conflitos. “O primeiro contato com ele foi tranquilo. Meus outros bichinhos adotados (3 gatas e mais um cachorro idoso) estranharam a presença dele no início, mas não houve agressões ou tentativas de espantá-lo. Ele foi bem acolhido, passeou pela casa toda, cheirou tudo e escolheu um cantinho pra ele.”
Aloka ainda se recupera das lesões sofridas. Segundo Daiana, o processo exige atenção redobrada. “Neste momento ele está se recuperando das feridas da cabeça, focinho e olhos. Tem alguns pontos nos cortes, que em breve serão retirados. Ele também está anêmico, se sente fraco, dorme bastante. Mas os ferimentos estão sendo tratados e a alimentação, reforçada”, destaca.
SÍMBOLO DE RESILIÊNCIA
“Assim como o caso do cão catarinense Orelha (agredido por adolescentes em SC) provocou uma comoção nacional e colocou na pauta do brasileiro o debate sobre leis, punições para agressores de animais e a importância da adoção, o Aloka também representa a nossa luta por um mundo melhor, mais justo e acolhedor para todos os seres vivos. Eu acredito que o exemplo educa muito mais do que as palavras, portanto devemos agir mais no combate ao abandono e à violência, ajudar da maneira que pudermos ajudar para que mais nenhum animal sofra maus tratos, abandono, enfim. Fazer algo pelo Aloka dá o exemplo que nossa sociedade precisa para aprender a tratar melhor todo e qualquer ser vivo. O exemplo fala mais alto do que tudo”, ressalta Daiana.
ADOÇÃO EXIGE COMPROMISSO E RESPONSABILIDADE
Embora esteja em lar temporário, Aloka poderá ser adotado definitivamente caso surja uma família comprometida com os cuidados necessários “Sim, é possível que ele seja adotado. Mas vou cuidar dele até quando ele precisar de mim. Muitas pessoas se interessam, mas não levam a sério a adoção. Cuidar – de criança, pet, seja o que for – exige dedicação, abnegação, enfim, dá trabalho. Mas é o certo a fazer. Não há outra forma. Então, será adotado somente se a nova família amar cuidar de bichinhos.”
Enquanto se recupera das feridas físicas e emocionais, Aloka começa a escrever um novo capítulo de sua vida, agora marcado por cuidado, segurança e conforto.
Segundo o delegado Fábio Motta Lopes, responsável pela delegacia de Ivoti, há um suspeito do crime de maus tratos, e as investigações seguem para apurar se o cachorro pertencia a ele.