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Nova Petrópolis: vereadores estão em cima do muro se aprovam ou proíbem aumento de salário dos servidores

07/05/2020 - 10h46min

Atualizada em 07/05/2020 - 13h44min

Foto: Câmara de Vereadores de Nova Petrópolis

Nova Petrópolis – Na próxima segunda-feira, 11, deverá estar em discussão os projetos que preveem 2% de reajuste salarial e mais 25%, R$ 141,00, de vale-alimentação aos servidores municipais. O assunto tem gerado discussões entre os munícipes e, embora há quem seja favorável, a maioria das reações são contra o reajuste neste momento.

Na Câmara de Vereadores, a situação não é muito diferente. O presidente da Casa, Ceará, já havia se manifestado que não concorda com o aumento neste momento. A mesma opinião também foi dada pelo Vereador Jorge Darlei Wolf.

“Muitas pessoas estão perdendo seus empregos, passando dificuldades e até fome”

Nesta semana, já com o projeto encaminhado pela Prefeitura, o vereador Rodrigo dos Santos também se manifestou contrário ao projeto. “A gente tem que ter um pouquinho de humanidade e olhar para o próximo. São muitas pessoas perdendo empregos, salários reduzidos, passando até fome. Tenho certeza que não é o momento”, comentou.

Cláudio Gottschalk afirmou que ainda não se decidiu sobre o assunto e está estudando o projeto. “É uma situação muito delicada e por isso ainda não tenho uma opinião formada. A coisa tá muito complicada”, declarou.

Projeto incerto

Na noite de terça-feira, 05, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que congela o aumento de salários até dezembro de 2021 para, em contrapartida, destinar ajuda do Governo Federal para enfrentamento ao Covid-19. Desta forma, os municípios não poderiam reajustar os salários dos servidores, com exceção dos funcionários que estão na linha de frente de combate à epidemia. O projeto voltará para o Senado e os reajustes podem ser proibidos.

Por conta disso, o vereador Rafael Lüdcke afirmou que está muito difícil tomar uma posição, pois a situação muda diariamente e isso pode fazer com que a Prefeitura retire o projeto. “Não sei como vai ficar, esse é o problema agora, entre uma coisa ou outra, é melhor que a gente consiga a ajuda do Governo Federal e não ter esse gasto no momento”, disse.

“Se a inflação foi de 6,81%, não pode aumentar o vale-alimentação em 25%. Isso não existe”

A opinião da vereadora Kátia Zummach é semelhante por conta do projeto de congelamento. “Realmente ainda vou avaliar essa situação e aí temos que ver o que fazer para poder tomar uma posição”, disse.

Daniel Michaelsen reafirmou que os vereadores precisam estar atentos à lei federal, mas é totalmente contra a um aumento de 25% no vale-alimentação. “Numa época de crise não se pode aumentar. Se a inflação foi de 6,81%, não pode aumentar o vale em 25%. Isso não existe”. Além disso, contou que é preciso ver se o projeto da prefeitura é constitucional ou não. “Temos que ver isso, pois ele deveria chegar até 180 dias antes das eleições, o que não aconteceu”, afirmou.

Oraci de Freitas, líder de governo do PP, partido do prefeito Régis Hahn, afirmou que está analisando a proposta e que não tentará convencer os demais vereadores para aprovação. “Temos que pensar bem e estudar direitinho. Cada um é livre para votar como quiser, não vou tentar convencer ninguém”, disse.

Jerônimo Stahl Pinto fez questão de destacar que o projeto se refere a reposição salarial e não aumento salarial. “Significa que repor a oscilação de preços de um período significa restabelecer as condições iniciais da relação empregatícia”, comentou. E disse também que a proposta de 2% mais o vale-alimentação é equilibrada, pois o funcionalismo também está cedendo parte dos direitos. “Nas piores crises que esse país atravessou, o salário mínimo foi reajustado anualmente, quando o trabalhador perde poder aquisitivo, o comércio também perde”, finalizou.

Não conseguimos o contato com o vereador Carlos Antônio Simon até o fechamento desta matéria. Prefeito, vice, secretários, vereadores e os servidores do Legislativo não fazem parte do projeto e não terão reposição.

Morte e desemprego

O vereador Nei Schneider ressaltou que o momento é de fechamento de empresas em todos os lugares, o PIB está caindo e a estiagem está causando o caos no setor primário e muitos brasileiros estão buscando um auxílio emergencial de R$ 600,00. “Estamos vivendo uma realidade de morte e desemprego, onde ninguém sabe até quando, ou o quanto irá piorar”, falou. E por essas razões, se coloca contra o aumento salarial e do vale-alimentação.