Novo Hamburgo – A Polícia Civil revelou que o técnico em enfermagem, que administrava uma clínica clandestina de abortos, cobrava de R$ 5 mil a R$ 10 mil, quando não mais, de mulheres grávidas que pretendiam abortar. Os valores variam de acordo com o período de gestação.

Os valores foram descobertos pela polícia durante os dois meses de investigação. Em conversas via WhatsApp, a assistente do técnico em enfermagem tratava abertamente dos valores e da forma como o procedimento acontecia, tentando tranquilizar as pacientes de que o método era eficiente e seguro.

CASO

Três pessoas foram presas na última sexta-feira por manterem uma clínica clandestina de abortos com atuação no Vale do Sinos e na grande Porto Alegre. O grupo foi descoberto pelo Departamento de Homicídio e Proteção a Pessoa (DHPP) da Polícia Civil após denúncia anônima recebida há dois meses.

Embora as prisões e o cumprimento de mandados de busca tenham ocorrido na sexta, a operação Anatomy só se tornou pública nesta segunda-feira, com uma coletiva de imprensa realizada pela DHPP, no Palácio da Polícia, em Porto Alegre.

A clínica de abortos funcionava em Novo Hamburgo, mas o local não foi informado pela polícia, já que a investigação e o caso tramitam em segredo de Justiça.

Segundo a polícia, os responsáveis pela clínica faziam um trabalho de divulgação via redes sociais e após contatos via aplicativa de mensagens. Os contatos evoluiam para encontros presenciais, em que o procedimento era explicado às mulheres que pretendiam realizar o procedimento.

Após, era marcado o dia de fazer os abortos na clínica clandestina.

Durante o cumprimento das buscas, a polícia chegou no exato momento em que uma paciente realizaria o procedimento abortivo. O médico e a mulher que lhe dava assistência (responsável pelo agenciamento) foram autuados pelo crime de aborto, comércio ilegal de medicamentos e porte ilegal de arma.