Guinter e sua esposa Lia guardam boas recordações de Dois Irmãos. (Créd. Cleiton Zimer)

Dois Irmãos – Natural de Dois Irmãos, Günter Schneider nasceu em 16 de agosto de 1941, e desde criança, morou no mesmo local, no final da Avenida São Miguel e, de lá, acompanhou de perto o crescimento da cidade. Hoje, com 78 anos, se recorda dos bons momentos vividos e, ao mesmo tempo, dos desafios enfrentados durante esse período.

Günter relembra do seu tempo de infância. “Durante muito tempo, meu pai era funileiro”, comentou, afirmando que com essa atividade o pai atendia as demandas de toda a região, e sustentava a família.

Mas, no mesmo ano em que Dois Irmãos se emancipou, a família de Günter comprou um caminhão, passando a trabalhar na coleta e distribuição de leite. “Em 1959, nós começamos a trabalhar com comércio de leite e lacticínios. E fizemos isso até 1981”, disse. “Tínhamos uma caminhonete, recolhíamos o leite dos pequenos produtores, tanto de Dois Irmãos como de Sapiranga, e levávamos até Novo Hamburgo para vender. As sobras eram destinadas para o então DEAL – Departamento Estadual de Abastecimento de Leite, que depois foi transformado na CORLAC – Companhia Riograndense de Laticínios e Correlatos”, relembra Guinter, afirmando que, na época, tinham que vender as sobras, pois não tinham estrutura para conservar os mais de 200 litros de leite de um dia para o outro.

Recordações de Günter tocando acordeão

 De trem

Günter ainda comenta que, com o tempo, as coisas foram mudando, tanto que os produtores começaram a ter condições de armazenar o próprio leite, mas até então, todas as sobras eram enviadas à capital, para o DEAL. “Esse leite ia de trem, de Novo Hamburgo até Porto Alegre. Lá o caminhão recolhia e levava até o destino final. No dia seguinte, eles traziam de volta os tarros vazios, e nós já deixávamos os outros prontos para o embarque”.

 

Guinter Schneider nasceu, cresceu, e acompanhou o desenvolvimento de Dois Irmãos. Morando desde criança na Avenida São Miguel, no bairro União, ele recorda do tempo em que essa era uma das únicas estradas do município, ainda de chão batido, na qual passava diariamente coletando leite dos produtores.

Unidos pelo kerb

Em 1969, Günter tinha 28 anos e se casou com Lia Laux Schneider, que é natural de Sapiranga. Da mesma forma como muitos casais, Lia e Günter se conheceram nas tradicionais comemorações do kerb de Dois Irmãos, se reencontrando depois, em outros bailes da vida e, por fim, se apaixonaram, casaram, e tiveram duas filhas, que já frutificaram em quatro netos. “Eu e o Günter nos conhecemos no kerb, depois ele veio em um baile em Sapiranga e aí nos conhecemos melhor e, quando casamos, vim morar junto com ele na Avenida São Miguel”, recorda Lia, declarando ser um lugar muito bom para morar desde sempre. Antes casar, ela trabalhava em uma loja de tecidos e confecções.

Lia Laux, quando jovem e ganhando o prêmio de mais Bela Comerciária de Sapiranga em 1964.

Armazém de secos e molhados

Paralelamente às atividades de coleta e distribuição de leite, a família de Günter também mantinha um armazém de secos e molhados, no qual Lia passou a trabalhar ao vir morar em Dois Irmãos. “Nele vendíamos o essencial, para atender as primeiras necessidades. Tinha alimentos, bebidas, perfumaria, confecções. Era uma mistura de tudo um pouco”, recorda Günter, afirmando que na época os moradores produziam muito, sendo a maioria colonos, e por isso realmente só compravam o que era prioridade.

Lia, que já trabalhava em comércio, diz ter ficado muito contente por, novamente, ter a oportunidade de trabalhar no setor, no armazém. “Sempre trabalhei no comércio. A minha vida toda. Trabalhar nisso foi a minha vida e eu sempre amei muito o que fiz, pois foi através disso que conheci muitas pessoas, fazendo amizades que carrego comigo até hoje”, disse, muito feliz.

Chão batido

Apesar de não registros fotográficos da época, Guinter recorda que, no tempo em que recolhiam leite com a caminhonete, a Avenida São Miguel ainda era de chão batido, muito diferente do que é hoje e, além disso, afirma que o número de casas, em relação aos dias de hoje, é incomparável. “Me lembro que tinha poucas casas. Eram construídas duas ou até três residências por ano, já hoje, são de cinco a seis prédios em construção o tempo todo. E era assim pois a população daquele tempo era bem diminuta comparada aos dias atuais. A mesma só começou a crescer com a vinda das indústrias de calçados e, até então, tudo girava em torno da agricultura. Me lembro bem, que a Avenida São Miguel era de chão batido, e que uma das primeiras obra do primeiro prefeito Justino Vier (Partido Libertador – PL), foi de fazer o calçamento a rua”, disse.

A música

Além das demais atividades, Guinter também era um apaixonado por música, fazendo dela o seu principal hobby. Em 1958, ele se formou e, desde então tocou acordeão, participando de diversos eventos da cidade e também da região. Mas apesar disso, nunca fez das melodias uma profissão.

Guinter se formou em música em 1958, tocando em várias apresentações de grupos, mas nunca fez dela uma profissão.

 

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