Precipitações recentes ajudaram agricultura, mas prognóstico para o início do ano é desanimador (Créd. Alex Günther)

Região – Enfrentando o pior período sem chuva em 12 anos, a região desfrutou de uma breve sensação de alívio na semana passada. Entre sexta-feira e sábado, choveu aproximadamente 25 milímetros, ainda um volume considerado abaixo da média em janeiro, mas que serviu para trazer algum alento, especialmente na agricultura.

As perdas na região são incontáveis após um fim de ano que também teve um histórico negativo, como sendo o dezembro mais seco em 36 anos, com acúmulo de chuva muito abaixo da média para o período.

O meteorologista Nilson Wolff, responsável pela estação climatológica de Campo Bom, uma das principais referências na região, considera que o volume de chuva na última semana ajudou a amenizar os efeitos da estiagem, porém, insuficiente para repor as perdas neste início de ano. “Deve chover novamente na quinta-feira, em torno de 20 milímetros, o que é um volume considerável dentro do cenário em que vivemos neste janeiro”, destaca Nilson.

Previsão preocupante

O climatologista comenta que os próximos dias deverão ser de tempo bom, podendo inclusive termos madrugadas de temperaturas abaixo da média para a estação. “Até quarta-feira teremos forte sensação de calor, antes destas precipitações, mas entre sexta-feira e domingo o clima será muito agradável. Na madrugada de sexta para sábado até frio poderemos ter, com mínimas que podem chegar a 13º em nossa região”, avisa.

Nova Petrópolis: colisão entre veículos deixa três feridos

As boas notícias referentes ao tempo, no entanto, param por aí. O cenário vivido pela agricultura desde o final de 2019 deverá persistir no primeiro quadrimestre de 2020. “A perspectiva, em termos de chuva, é que até o fim deste mês ficaremos muito aquém da média histórica, que é de 146 milímetros para o mês. Neste momento estamos na faixa de 30 milímetros e os prognósticos não são favoráveis”, destaca Nilson.

O meteorologista, inclusive, faz um alerta preocupante para o 1º quadrimestre desse ano: “Esta realidade deverá perdurar até abril, sempre com os meses fechando com chuva abaixo da média. E não há fenômenos climatológicos envolvidos, como o El Niño ou El Niña, comuns em nosso Estado nesta época. A última vez que enfrentamos um cenário semelhante foi em 2012”.

Bendita chuva, mas ainda insuficiente

“A chuva recente colaborou muito pouco. Estamos vivendo uma época muito severa na Agricultura. Além disso, em Ivoti tivemos uma grande mortandade em aviários. Esta chuva ajuda, mas não o suficiente. Tanto que estamos estudando algumas possibilidades para tentar amenizar este quadro, como o uso de caminhões-pipa nas estruturas. Quanto à safra de verão, está perdida. Alguns produtores tentam entrar com pedido de seguro agrícola via Emater/RS para evitar o pior”.

Denise Rodrigues da Silva – secretária do Desenvolvimento de Ivoti

“Claro que deu uma amenizada. Aqui choveu de 35 a 40 milímetros. A questão é que o estrago já está feito. Consideramos um alívio sim, esta última chuva. Foi importante, mas não deixamos de lamentar também as perdas em culturas que não estavam em ambiente protegido, no caso da couve flor e pimentão. Mas o maior impacto certamente foi no milho. O pessoal tentou abreviar o dano com a silagem, mas o resultado prático disso ainda é pouco”.

Cristiano Nienow – secretário de Agricultura de Linha Nova

“Aqui em Hortêncio choveu 27 milímetros na semana passada. Teve sua importância, claro, pois esta chuva colabora para uma virada de clima. A temperatura amenizou um pouco, há mais umidade, que por consequência gera mais orvalho e cerração. Isso de certa forma ajuda, inclusive, o milho, que está em fase de granar”

Breno Kafer – secretário de Agricultura de Hortêncio

 

“Choveu cerca de 20 milímetros aqui. Ainda é muito pouco. Do jeito que a situação está, teria que chover esta quantidade toda semana para podermos nos recuperar um pouco dos prejuízos causados pela seca. O milho certamente é a cultura mais afetada e a produção de silagem vai ficar muito aquém. Já começou a faltar água para tratar os animais”.

Luiz Spaniol – secretário de Agricultura de Presidente Lucena