O tribunal eleitoral do Brasil pediu explicações no sábado à gigante tecnológica Meta, após a campanha do presidente Lula ter denunciado uma tentativa de “interferir” nas eleições presidenciais com supostas restrições aos seus conteúdos, acusações que a empresa norte-americana qualificou como “falsas”.
O presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva busca seu quarto mandato no segundo turno marcado para 25 de outubro, diante do senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro (2019-2022).
Sua campanha denunciou, em um comunicado, “fortes suspeitas” de que a Meta, empresa-mãe do Facebook, WhatsApp e Instagram, limitou seus conteúdos.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pediu à gigante das redes sociais esclarecer, no prazo de 48 horas, se reduziu a difusão das publicações e explicar as anomalias denunciadas.
Lula tem denunciado tentativas de ingerência eleitoral por parte de seu homólogo norte-americano Donald Trump para favorecer Bolsonaro.
O governo do presidente octogenário, que intensifica sua campanha nas redes para o segundo turno, avalia se as grandes empresas de tecnologia podem servir como canal para esse objetivo.
– Pulso –
A denúncia ocorre uma semana antes da primeira votação, na qual Flávio Bolsonaro ficou em primeiro lugar com 47% dos votos, apesar de as pesquisas apontarem Lula (45%) como favorito.
A campanha afirmou que a Meta “impediu que o perfil do presidente Lula promovesse publicações no feed do Instagram”, enquanto uma publicação de sua conta oficial “sofreu uma interrupção no registro de visualizações, o que afetou seu alcance”.
Também sustentou que as publicações de Flávio Bolsonaro têm mais interações, apesar de ter menos seguidores, e que antes da primeira rodada as contas de Lula e de outros dirigentes de esquerda “desapareceram repentinamente do buscador do Instagram”.
“A sequência de problemas técnicos que a empresa não explicou desperta fortes suspeitas de que as ações da Meta constituem uma tentativa de interferir no processo eleitoral brasileiro em benefício” de Bolsonaro, acrescentou.
Meta acrescentou que “muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil nem contas específicas”: “Estamos comprometidos com a igualdade de condições no uso de nossas plataformas”, acrescentou.
– “Perfil a perfil” –
Lula fez da soberania uma bandeira ao alertar sobre supostas tentativas de interferência por parte do presidente norte-americano, aliado de Jair Bolsonaro.
No entanto, lembrou que quando o presidente dos EUA tentou “interferir nas decisões do Supremo Tribunal brasileiro” mencionou “os interesses das chamadas big tech”, o que “constitui mais do que uma evidência desse interesse mútuo”.
Após a primeira rodada, Lula, que geralmente não usa celular, passou a adotar uma estratégia centrada nas redes sociais, onde começou a publicar conteúdos.