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Aniversários

Falar o Hunsrik lhe garantiu o emprego onde está há 28 anos em Morro Reuter

Silvana, mais conhecida como Tina, trabalha há quase 28 anos no setor de talões da Prefeitura (FOTO: Cleiton Zimer)

Morro Reuter – Todos os dias Silvana Cristina Klein Eich recebe os agricultores do município de Morro Reuter, que através dela encaminham seu Talão de Produtor Rural. Tina, como é carinhosamente chamada por todos que a conhecem, tem 46 anos, e há quase 28 anos ocupa o cargo na Prefeitura, onde além de ser responsável pelos talões, tornou-se também uma grande amiga dos produtores rurais, que enxergam na pessoa de Tina o auxílio que precisam para lidar com questões burocráticas.

São 28 anos e muitas histórias para contar. Ela assumiu o cargo quando o município de Morro Reuter conquistou a sua emancipação política em 1992, sendo a mulher que ajudou a moldar o departamento dentro da cidade, com um importante diferencial: o Hunsrik, o dialeto alemão. “Foi por isso que consegui esse emprego, pois a maioria dos agricultores falavam em alemão”, disse ela.

E, de fato, a maioria dos agricultores falava o alemão, como ainda é hoje em dia. “Naquela época, o então prefeito Sabá Meyrer, disse que precisava de alguém que atenda em alemão”, contou.

Ela, que é filha de agricultores, aceitou o desafio. Naquela época Tina tinha 17 anos, e antes disso já trabalhava na indústria calçadista, na qual começou com 12 anos. “Antes da fábrica eu ajudava na roça, pois com dois anos perdi o meu pai, então todos os sete irmãos tinham que pegar juntos e trabalhar”, disse.

Tina (de blusa verde), participando do desfile de 7 de Setembro de 2003 (Arq. pessoal)

Na verdade, era um sonho: um dia poder trabalhar em um escritório. Mas não foi fácil, muito longe disso. Foi um grande desafio! Como a Prefeitura e todos os setores ligados a ela eram novos, os profissionais tiveram que aprender as funções em Dois Irmãos. Tina foi para o Sindicato Rural aprender a rotina. “Foi um desafio que me marcou muito. Eu nem sabia datilografar na época. Mas coloquei na minha cabeça que ia conseguir. Comprei uma máquina de datilografar e treinei muito, até aprender”, disse.

Enquanto muitas coisas mudam, outras ainda permanecem iguais

Muita coisa mudou nesses quase 28 até aqui. Mas por outro lado, algumas coisas também continuam igual. Tina conta que dificilmente atende alguém falando o português, por exemplo. Ou seja, o quesito mais importante que, lá atrás, era fundamental para conseguir a vaga de emprego, ainda hoje é o mais utilizado por ela para se comunicar com a comunidade local. “O alemão (Hunsrik) é o que as pessoas mais falam aqui. Para muitos é difícil falar o português, pois no dia a dia não o utilizam”, disse.

Tina (de verde), durante a Feira do Produtor na Praça; ela considera a Feira fundamental para o desenvolvimento local (Arq. pessoal)

Desde o início Tina, que hoje é casada e tem três filhos, trabalhava no prédio da Prefeitura, mas, há três anos se mudou para onde fica a Emater. “A ideia da Prefeita é centralizar o agricultor aqui”, disse ela, destacando que “eles gostam de vir mais aqui, pois lá não falam muito o alemão”, brincou.

Mas é notório que houve muitas mudanças: os grandes arquivos de papel hoje já estão mais compactados, alguns ainda existem, mas, outros, são totalmente digitais. Aquela velha máquina de datilografar está aposentada, e deu lugar para às novas tecnologias.

Tina (a primeira na mesa do meio) em reunião com Carla Chamorro (em pé), na época secretária da Educação (Arq. pessoal)

Tina viu de perto todas essas transformações acontecerem, não somente na questão da tecnologia, mas também no desenvolvimento da agricultura familiar no município. “O que mudou muito foi o incentivo para os agricultores. Antes eles não tinham isso. Muitos agricultores só se dedicavam à acácia, chegavam a dar o talão deles para outras pessoas colocarem as notas. Hoje não, tem os verdureiros, os serviços integrados e, tudo isso, com incentivos”, disse ela.

Para Tina, os incentivos para os agricultores são uma ferramenta muito importante, considerando que é através disso que eles estão ficando e, também, vindo cada vez mais para o agronegócio.

“É possível crescer muito na agricultora”, diz ela, enfatizando que o setor de produção do frango é um dos mais fortes no município, seguido pelo hortifrutigranjeiro e também a acácia.

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