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Coluna Nova Petrópolis

Acredite: EGR gastou mais do que arrecadou na praça de Gramado

Uma notícia trazida semana passada pelo jornal Integração, que circula nas cidades vizinhas de Canela e Gramado: “Pedágios apresentam déficit de mais de R$ 14 milhões em 2019”. Eu preferi usar a palavra “défice”. O jornal está se referindo às três praças que cercam Gramado e Canela (nos acessos de Nova Petrópolis, Três Coroas e São Francisco de Paula). Foram arrecadados R$ 42 milhões e gastos R$ 56 milhões. Obvio que o balancete precisa ser contextualizado na realidade financeira do ano. Por outro lado, ter um órgão público gastando mais do que arrecada é algo cada vez mais comum. Acontece na União, na maioria dos estados e até em alguns municípios maiores. Todos nós trabalhamos um monte a cada ano só para pagar os jutos do dinheiro que não existe. Desta mazela a Lei de Responsabilidade Fiscal não conseguiu nos livrar. E muito menos os conselheiros dos tribunais de contas, com seus altos salários e a impressionante cegueira quanto às contas deficitárias dos governos.

A NOSSA PRAÇA DE PEDÁGIO

Então, se eu digo que a EGR gastou mais do que arrecadou, não estarei surpreendendo a ninguém. O que me chama a atenção mesmo é o resultado destes gastos. O trecho da RS-235 em Nova Petrópolis faz parte disso! E sabemos a quantidade de demandas, algumas antigas, que se tem para essa estrada. Recentemente foram arrumados alguns metros de acostamento, que era um risco de acidente para qualquer automóvel. Mas quem fez foi a Prefeitura! Estão gastando bem mais do que deveriam e nós seguimos com os mesmos problemas de sempre…

O QUE FOI FEITO EM 2019

Em 2019 foi iniciada e terminada a obra do acesso ao bairro Pousada da Neve. Investimento importante e que merece referência. Mas também é preciso dizer que o preço final foi bastante questionado (talvez esteja aí uma das explicações para o défice percebido em 2019…). Fora isso, a EGR refez os acessos a Nove Colônias e ao Pedancino, recapeou alguns trechos de asfalto e renovou o convênio com o Corpo de Bombeiros Voluntários. Roçadas também foram feitas no interior, mas com atraso inaceitável.

A RECLAMAÇÃO É A MESMA

Aí o Jornal Integração publicou essa notícia do défice nas redes sociais e começaram a borbulhar comentários de usuários descontentes. E é muito curioso perceber que os usuários do trecho entre Canela e São Chico fazem uma reclamação muito parecida com quem usa o trecho Nova Petrópolis Gramado: gasta-se muito na RS-115, que dá acesso a Gramado via Igrejinha e Três Coroas. Aquela estrada está muito bem conservada, sendo inclusive comparada com um tapete. Tem terceiras faixas e lá as roçadas não atrasam uma semana!

DINHEIRO DE PEDÁGIO

O problema de um modelo de concessão de estradas como o da EGR é que não se faz compromissos de longo prazo. A iniciativa privada, quando assume uma concessão de estrada, precisa fazer fortes investimentos iniciais, que serão recuperados no longo prazo com a arrecadação no pedágio. Ou seja, a concessionária precisa começar o negócio botando dinheiro. Já a EGR fica naquela lenga-lenga de só reinvestir o dinheiro que arrecada. Até porque, o governo não tem um tostão para investir. E como sofre influências políticas na hora de investir, geralmente a EGR gasta mal.