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Após perder esposa e ter casa incendiada, pai trabalha por um novo lar para a família

Osmar reconstrói sozinho a casa perdida em incêndio (Créd. Alex Günther)

Linha Nova – Sobre o alicerce de um cômodo sem paredes, Osmar Loff observa o espaço e faz algumas projeções daquilo que espera, um dia, ser novamente um lar. “Aqui vou construir o meu quarto e do meu guri. Ali vou fazer outro para minha filha e o genro. A cozinha será naquele espaço”.

A conversa segue em tom informal, com Osmar entrando no que sobrou das dependências do imóvel com paredes chamuscadas. “Aqui, tudo que era em madeira foi perdido, mas já reconstruí as caixas”, aponta o pedreiro.

O ânimo pela obra não parece ser de alguém que, na véspera de Natal, perdeu o imóvel em um trágico incêndio. O otimismo do homem se torna mais admirável, quando ele revela que 31 dias antes do incidente, sua esposa veio a falecer. “No dia 22 de novembro, ela morreu. Em 23 de dezembro, perdi a casa”, reflete Osmar sem transparecer angústia, sentimento que tenta não alimentar para permanecer forte para seus filhos, uma moça de 15 anos, mas em especial para o rapaz de 16, portador de necessidades especiais. Ali, naquele espaço do Canto Schons, a única estrutura que ruiu por completo foi a de concreto, pois a fibra do pedreiro parece inquebrantável.

Inquietude e recomeço

Após o incêndio, Osmar e os filhos foram para a casa do genro, Matheus Reis, bombeiro voluntário que reside em Nova Petrópolis. Apesar da boa acolhida, Osmar estava ansioso e por lá ficou apenas duas semanas. “Eu só pensava na minha casa e recomeçar logo a reconstrução. Eu não tinha dinheiro para nada, então pedi R$ 50 a um familiar, botei de gasolina no carro e voltei”, contou.

Há três semanas morando ao lado dos escombros, na casa da irmã Eliane, sua rotina é voltada em quebrar paredes, retirar detritos usando carrinho de mão, e ficar em permanente vigilância com o filho. O rapaz não pode ficar sozinho e está sempre próximo ao pai.

Osmar e o seu inseparável filho (Créd. Alex Günther)

Aos poucos, o cenário de destruição dá lugar a uma nova perspectiva de vida. “Primeiro cuidei de limpar a área. Montei as cacharias e semana que vem instalo os canos. Comecei a levantar uma parede também”, explica, com sua simplicidade, os procedimentos técnicos. O município tem feito parte deste momento de reconstrução.

Da Prefeitura, recebeu uma carga de areia e brita. Da comunidade já vieram roupas, alimentos e 10% do total de tijolos necessários para reerguer o lar, empreitada que, até aqui, é feita exclusivamente por Osmar. “Não sei fazer tudo, mas para o básico sou capaz. Preciso de três mil tijolos, cimento e ferro para as colunas. Até o momento tenho 300, mas acredito que virá mais”, relata.

O que se perdeu e o que virá

A família ainda se recuperava da despedida da mãe, quando um novo viés marcou a trajetória dos Loff às 10h15 do dia 23 de dezembro. Osmar, pouco antes do incidente, havia faxinado a casa. O filho assistia TV na sala e a menina estava na escola. O pai então foi limpar uma área nos fundos da residência, quando escutou um barulho. “Parecia que algo estava estalando dentro da casa. Voltei correndo e quando olhei para dentro, o meu quarto já estava em chamas”, relembra.

Por sorte, o filho se assustou com a cena e saiu, mas acabou respirando muita fumaça. O rapaz precisou ser atendido mais tarde, mas sem maiores danos. Aturdido com a propagação rápida das chamas, o pai se lembrou de uma pasta que continha seus documentos, no interior de um armário. “Me arrisquei e entrei no meio das chamas. Consegui pegar, mas me queimei um pouco no rosto”. Ainda não se sabe ao certo as causas do incêndio, mas a razão mais provável está ligada a instalação do chuveiro.

Um dia para esquecer: família perdeu parte da casa em incêndio (Créd. Felipe Faleiro)

Mas o que se foi é passado e Osmar trata de olhar adiante. Por enquanto, sua dedicação é total na obra, e quando questionado se retornará a trabalhar fora dela quando concluída, o pai comenta: “não posso. Tenho que cuidar do meu guri. Esta responsabilidade era mais da minha esposa, justamente para eu poder trabalhar. Agora é minha”.

Sobre como irá arcar com os custos da família, o pai projeta que poderá trabalhar com agricultura familiar na sua própria propriedade. “Darei um jeito”, finaliza, da única maneira que consegue ser: otimista.

Ajude você também!

Os interessados podem fazer doações através de transferência bancária ou contatar Matheus Reis, genro de Osmar Loff, através do número de WhatsApp (54) 99985-0916.

Transferência de Sicredi para Sicredi:
AG 0101
Conta poupança 88249-7

Transferência de outro banco para Sicredi:
Banco 748
Agência 0100
Conta poupança 88249-7
Matheus dos Santos Reis
CPF 043.346.650-20