Rotina: diariamente Márcia recicla resíduos recolhidos no município (Créditos: June Kruger)

Está longe o tempo em que trabalho pesado era coisa só de homem. Pelo menos na família de Márcia Strasser, 34 anos. Depois de trabalharem durante nove anos na mesma empresa, o Curtume Minuano, hoje ela e o marido, Eli, dividem a mesma profissão e o mesmo ambiente de trabalho: ambos trabalham na Cooperativa de Trabalho dos Recicladores de Lindolfo Collor, onde ela é recicladora. Passa na Cooperativa a maior parte de seu dia, separando os resíduos e dando a cada um o destino correto. Sem discriminação e sem qualquer preconceito, na Cooperativa, homens e mulheres dividem as mesmas tarefas.

A luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres é uma das razões da celebração do Dia Internacional da Mulher, 8 de março, chamando a atenção da sociedade contra preconceitos, discriminações e, também, sobre a violência contra a mulher. Uma lição que Márcia e o marido ensinam no dia a dia. Mãe de dois filhos, Mateus, de 15 anos, e Diogo, de 10 anos, Márcia é natural de Tenente Portela, e vive em Lindolfo Collor há 18 anos. Tem na família, especialmente na mãe, Líria dos Santos Strasser, 56 anos, sua maior inspiração.

“É um dia especial”, diz Márcia sobre o Dia Internacional da Mulher. Há seis anos ela optou por trabalhar como recicladora. Conta que até então ela eu marido trabalhavam no Curtume, de onde ele decidiu sair, empregando-se logo em seguida na Cooperativa. Ouvindo ele falar do novo emprego ela se entusiasmou e também deixou o Curtume, passando a trabalhar na Cooperativa. Durante todo o dia ela e mais outras 12 mulheres, entre outros colegas, reciclam os resíduos que são recolhidos em Lindolfo Collor. Separar plástico, vidro e papel faz parte de sua rotina. Hoje diz que a comunidade já está mais consciente da importância de separar o lixo em casa, o que evita que os recicladores se machuquem com vidros, por exemplo.

Ela e Eli deixam os filhos logo pela manhã. Enquanto ele estudam Márcia e o marido vão para a Cooperativa. “Acordo as 5h30min, arrumo o almoço e saio de casa às 6h20 de Topic. Tomo café na empresa e começamos o trabalho às 7 horas, parando para almoçar e depois retornando ao trabalho até às 17h30min”, descreve sua rotina. Márcia diz que ser recicladora é um trabalho diferente do que ela fazia até então no Curtume. “É mais livre do que na firma, onde tu sempre fica fechado, aqui é diferente”, explica.

O mais difícil na reciclagem, segundo ela, é quando a atividade exige serviço pesado, mas isso não a intimida. Para ela, é apenas na força que os homens se diferenciam das mulheres. “Eles são mais fortes fisicamente, é só nisso que tem diferença”, aponta. Para Márcia, ser mulher é muito bom e ser mãe, uma benção. “No tempo da minha mãe, era muito difícil. Ela trabalhava na roça e ainda tinha todo serviço de casa para fazer”, cita. Ela considera uma benção ter igualdade com o marido no trabalho e diz que as mulheres hoje estão conquistando seus direitos. “Mas com muito esforço”, destaca.

Márcia e o marido, Eli: companheiros na vida e no trabalho (Créditos: June Kruger)