Estados Unidos se pronunciaram sobre assunto novamente não descartando ação militar (Créditos: Cristian Hernandez/AFP/CP Memória)

O autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, voltou a apelar ao povo venezuelano para que saia às ruas neste sábado, numa manifestação pacífica frente às bases militares do país, de modo a pedir ao Exército que deixe de apoiar Nicolás Maduro. Entretanto, o Grupo de Lima vai se reunir nesta sexta-feira para analisar a situação do país, onde foi decretada a prisão do líder da oposição, Leopoldo López, agora refugiado na embaixada espanhola em Caracas.

O líder opositor convocou passeatas no sábado até os principais quartéis da Venezuela em um novo desafio ao presidente Nicolás Maduro após a rebelião militar frustrada de terça-feira. A convocação foi anunciada depois de Guaidó ter liderado na terça-feira, ao lado do opositor Leopoldo López, a rebelião de um pequeno grupo de militares na base aérea de La Carlota, em Caracas, denunciada por Maduro como uma tentativa de “golpe de Estado”.

Armados e com veículos blindados, os militares se posicionaram diante de uma base aérea de Caracas com López e Guaidó, que pediu o apoio das Forças Armadas à rebelião. Mas a cúpula militar ratificou a adesão a Maduro e 25 rebeldes pediram asilo na embaixada do Brasil.

Esta ação ratifica “fase final de luta e que a #OperaçãoLiberdade é imparável”, declarou o presidente do parlamento venezuela. “O plano que realizamos deixa o regime frágil e o usurpador duvidando até de seu círculo mais próximo”, afirmou o opositor. Guaidó se afastou de uma grande mobilização que havia convocado para o dia 1º de maio e na quinta-feira não apareceu em público.

Maduro, ao contrário, apareceu na televisão com o alto comando militar e 4.500 militares para anunciar uma ofensiva contra os “golpistas”. “Estamos em um combate, máxima moral (…) para desarmar qualquer traidor, qualquer golpista”, afirmou no Forte Tiuna, principal complexo militar do país. O presidente socialista pediu aos militares que não hesitem no momento de desarmar conspirações opositoras e dos Estados Unidos.

Quatro manifestantes da oposição morreram nos protestos de terça-feira e quarta-feira. Washington advertiu que uma eventual detenção de Guaidó seria o “último erro da ditadura” e que “uma ação militar é possível” na Venezuela. As manifestações de apoio do comando militar a Maduro incluíram insultos ao líder opositor. “Não nos deixamos mandar por ninguém que não seja nossa linha de comando fundamental e muito menos por um idiota que se faz passar por presidente”, afirmou o comandante estratégico operacional, almirante Remigio Ceballos, que chamou Guaidó de “vagabundo”.

Maduro, acusado pela oposição de ter conseguido a reeleição de maneira fraudulenta, se aferra ao poder e tem o apoio da China e da Rússia. Durante seu governo, iniciado em 2013, o país com as maiores reservas de petróleo do mundo entrou na pior crise socioeconômica de sua história moderna.

Manifestações pacíficas

Em sua conta no Twitter, Guaidó escreveu: “Sábado, dia 4: mobilização pacífica nacional nas principais unidades militares para que se juntem à Constituição”.

“Convoco todos os setores do país a pronunciar-se e a exigir o fim da usurpação, a ação constitucional das Forças Armadas, a sua participação na Operação Liberdade e a organizar e realizar um dia de greve ou protesto setorial durante a próxima semana”.

Fonte: Correio do Povo