Nas prisões de semana passada, duas televisões foram recuperadas (Cred, Melissa Costa)

Dois Irmãos/Morro Reuter – A onda de arrombamentos a residência registrada em Dois Irmãos e que também chegou a preocupar em Morro Reuter chamou a atenção por algumas peculiaridades. A principal delas é que de praticamente todas as casas invadidas foram furtadas televisões e outros poucos eletrônicos, como notebook. Em poucas residências foram furtadas joias ou outros objetos e equipamentos de valor. Isso chamou a atenção dos órgãos de segurança, que alertam para a venda ilegal destes equipamentos. “Chama a atenção e acreditamos que estas televisões sejam vendidas através de redes sociais (como o conhecido brick) e por valores muito abaixo do mercado. Estes são eletrônicos de fácil venda e por isso se tornam alvo de arrombadores”, destacou um policial civil. Quem compra televisão, notebook ou qualquer outro produto sem procedência e com valor muito abaixo do mercado está cometendo o crime de receptação, além de também incentivar ainda mais a prática do arrombamento. Televisões que custam de R$ 2 mil a R$ 3 mil, por exemplo, às vezes são vendidas por R$200 ou R$ 300. “Não tem como uma televisão de tamanho valor ser vendida por preço muito abaixo. Se está se comprando de um conhecido que passa por dificuldade financeira é uma coisa, agora comprar sem procedência, apenas televisões em estado de nova por valor tão baixo é também cometer um crime. Ao longo da investigação para identificar os arrombadores localizarmos televisões com compradores, estes serão indiciados por receptação”, alertou o agente.

QUASE 20 TELEVISÕES FURTADAS EM MENOS DE TRÊS MESES

Em um levantamento feito pelo Diário, através das reportagens dos arrombamentos, foi possível somar que quase 20 televisões foram levadas de residências entre os meses de maio, junho e julho de Dois Irmãos e Morro Reuter. A maioria delas era de 42 polegadas, mas também foram levadas TV´s de 32 e 50 polegadas. Outra peculiaridade é o montante de ocorrências em um curto intervalo de tempo. Uma das situações que mais chamou a atenção ocorreu no bairro Moinho Velho, em Dois Irmãos, quando foram arrombadas três casas na mesma tarde; e do bairro Centro, em Morro Reuter, duas na mesma rua e na mesma tarde.

“Devemos cuidar da casa do vizinho como se fosse a nossa”

A investigação para descobrir a autoria de arrombamentos é delicada, principalmente pela falta de informações sobre os suspeitos do crime. Normalmente, quando a vítima descobre que a casa foi invadida, a mesma já ocorreu horas antes e a dificuldade de reunir indícios que possam identificar os acusados é um dos principais empecilhos. A forma mais rápida de conseguir prender os autores é com o flagrante, como ocorreu com os dois presos na semana passada em Dois Irmãos, após arrombarem uma residência na localidade de Picada São Paulo e de tentar invadir outra no Birckenthal, ambas em Morro Reuter. No Birckenthal, o alarme da casa disparou e testemunhas perceberam a presença dos bandidos. Imediatamente, os moradores ligaram para a Brigada Militar informando as características dos suspeitos e do veículo. Eles foram presos tentando fugir. “Precisamos da atenção da comunidade, a forma mais eficaz é essa: a denúncia imediata. Hoje, devemos cuidar da casa do vizinho como se fosse a nossa; se viu algo estranho, chame a polícia. Temos que ver maldade nas coisas, infelizmente a criminalidade está migrando para as nossas cidades e todos precisamos estar atentos diariamente”, destacou um dos agentes da Delegacia.

Números de furto estão estáveis

A onda de arrombamentos causou grande preocupação e insegurança por terem ocorrido em maior número e espaço reduzido de tempo. No entanto, ao fazer uma análise geral, a Brigada Militar ressalta que os indicadores estão estáveis, se comparar os furtos e arrombamentos ocorridos entre 2016, 2017, 2018 e a primeira semana de 2019. Em 2016, foram registrados, conforme levantamento divulgado pela Secretaria Estadual de Segurança Pública, 203 casos. Em 2017, foram 197 e, no ano passado, 190. Neste primeiro semestre já somam 88. “Enquanto os últimos três meses deste ano tivemos essa onda, os primeiros três meses foram de índice mais baixo. Se fizermos a avaliação geral, os índices estão estáveis e com a expectativa de queda”, avalia o comandante da BM, tenente Elton Dhein, que continua pedindo atenção e apoio da comunidade em casos de veículos e pessoas suspeitas nos bairros.