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Produtor rural morto durante ação da BM é sepultado em Pelotas

16/01/2026 - 10h20min

Pelotas – O corpo do produtor rural Marcos Nornberg, de 48 anos, foi sepultado na manhã desta sexta-feira (16) no Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula, em Pelotas. Ele morreu após ser baleado dentro da própria residência durante uma ação da Brigada Militar, ocorrida na madrugada de quinta-feira (15), na zona rural do município.

Familiares e amigos acompanharam a despedida, marcada por forte comoção. Devido à gravidade dos ferimentos, o velório foi realizado com caixão fechado.

Natural de Caxias do Sul, Marcos havia se mudado recentemente para Pelotas. Segundo a viúva, Raquel Nornberg, a mudança teve como objetivo buscar mais tranquilidade para a família. O produtor era responsável pela lavoura familiar após o pai perder um braço em decorrência de um câncer. A família cultivava morango e milho doce, produtos comercializados em feiras da região.


Policiais afastados e investigações abertas

A Brigada Militar informou o afastamento preventivo dos 18 policiais militares que participaram da ação. Conforme o comandante-geral da corporação, coronel Cláudio Feoli, a Corregedoria-Geral instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos agentes. As armas utilizadas na operação foram recolhidas para perícia.

Feoli classificou o episódio como um “grave mal-entendido com desfecho trágico”, destacando que houve uma colisão de percepções durante a abordagem. Segundo ele, enquanto o proprietário acreditava estar sendo vítima de um assalto, os policiais interpretaram a situação como uma reação armada de supostos criminosos.

Paralelamente, a Polícia Civil também abriu investigação. O delegado César Nogueira afirmou que a corporação não foi previamente informada sobre a operação e considerou incomum o número de policiais e viaturas mobilizados. Testemunhas, incluindo a viúva e familiares da vítima, devem ser ouvidas a partir de segunda-feira (19). O caso está sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios de Pelotas.


Informação que motivou a ação não se confirmou

A operação foi desencadeada a partir de um informe repassado pela Polícia Militar do Paraná, com base em declarações de dois homens presos naquele estado. A informação apontava a propriedade de Marcos como possível local de armazenamento de armas e veículos roubados, com dados detalhados e georreferenciados.

De acordo com o comando da BM, diante da precisão do material recebido, a averiguação foi considerada urgente. No entanto, após a ação, nenhuma das suspeitas foi confirmada, exceto a arma utilizada pelo produtor rural no momento da abordagem.


Viúva relata violência e diz ter pensado que eram bandidos

Raquel Nornberg afirmou que, durante a ação, acreditou estar diante de criminosos, em razão da forma agressiva e do linguajar utilizado pelos policiais.

“Achamos que eram bandidos. Nunca imaginamos que fosse a polícia. Fui tratada com brutalidade, mandada ajoelhar sobre cacos de vidro. Só depois percebi que eram policiais, mas a violência me fez duvidar o tempo todo”, relatou.

Segundo ela, a abordagem deixou marcas profundas. “Não consigo entender como uma ação policial pode tratar pessoas trabalhadoras dessa forma. A dor é imensurável”, desabafou.


O caso

Conforme relato da viúva, o casal dormia quando percebeu movimentação no pátio da propriedade, localizada na Estrada da Cascata. Marcos saiu para verificar o que ocorria e, logo depois, ela ouviu gritos e disparos. O produtor morreu ainda no local.

O governador Eduardo Leite se manifestou pedindo apuração rigorosa do episódio. “O Rio Grande do Sul tem uma polícia preparada, mas não está imune a erros. O fundamental é que haja investigação séria e responsável”, declarou.

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