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Polícia

Operação da Polícia Civil resulta em prisão e interdição de canil em Dois Irmãos

22/04/2026 - 23h56min

Atualizada em 23/04/2026 - 06h58min

Denúncia anônima levou a Polícia até um canil situado no bairro Travessão

 

Dois Irmãos – Uma ação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul resultou na prisão em flagrante de duas pessoas por maus-tratos a animais, na manhã desta quarta-feira, em Dois Irmãos. A operação foi conduzida pela Delegacia de Polícia local após o recebimento de denúncia anônima envolvendo um canil situado no bairro Travessão.

A partir das informações recebidas, foi iniciada investigação que apontou indícios de irregularidades no local. Com base nos elementos colhidos, a equipe policial, coordenada pelo delegado Felipe Borba, cumpriu mandado de busca e apreensão no estabelecimento. A ação contou com o apoio da Vigilância Sanitária municipal, da Associação de Proteção aos Animais do município e de médicas veterinárias, que atuaram na avaliação das condições de saúde e bem-estar dos animais.

Durante a fiscalização, foram constatadas diversas irregularidades sanitárias, além de evidentes sinais de maus-tratos, conforme atestado pelos profissionais envolvidos. No local, havia cerca de 200 animais, entre cães e gatos de alto valor comercial, mantidos tanto no interior quanto no pátio do imóvel.

Um homem e uma mulher foram presos em flagrante

Um homem e uma mulher foram presos em flagrante. Conforme apurado, ambos já haviam sido detidos anteriormente por práticas semelhantes, no âmbito da chamada Operação Geisel, ocasião em que cinco pessoas foram presas por crimes da mesma natureza.

Diante da gravidade da situação, o serviço de Vigilância Sanitária determinou a interdição do canil. Os animais foram apreendidos, sendo designada uma pessoa como depositária fiel e responsável pelos cuidados necessários.

Uma das médicas veterinárias que acompanhou a diligência apresentou relatório técnico detalhado sobre as condições encontradas no estabelecimento. Segundo a profissional, foram identificadas graves falhas estruturais, sanitárias e de bem-estar animal.

No que se refere à infraestrutura, foi constatada a ausência de piso impermeável e de sistema adequado de drenagem, além da inexistência de separação dos animais por espécie, idade e condição fisiológica, comprometendo diretamente as condições mínimas de manejo e higiene.

Em relação ao controle reprodutivo, o canil não possuía registros obrigatórios sobre ciclos de cio, coberturas, número de gestações por fêmea, idade dos animais ou intervalo entre gestações, em desacordo com a legislação vigente, especialmente a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98). Também foi observado que fêmeas prenhas não eram mantidas em ambientes adequados, não havia acompanhamento veterinário regular, nem registros de controle de parasitas internos e externos.

Não havia garantia de permanência dos filhotes com as mães pelo período mínimo recomendado

A vistoria apontou ainda a inexistência de área destinada à maternidade, ausência de controle sobre o desenvolvimento dos filhotes, falta de monitoramento de peso e inexistência de comprovação de vacinação conforme a idade. Não havia garantia de permanência dos filhotes com as mães pelo período mínimo recomendado.

Quanto ao controle individual, não foram encontradas fichas com informações básicas dos animais, como idade, sexo, histórico reprodutivo, vacinação, doenças ou tratamentos realizados. Também não havia qualquer controle alimentar adequado às necessidades de cada espécie ou fase da vida.

No aspecto sanitário, os animais não possuíam comprovação de vermifugação ou vacinação periódica, inexistindo relatórios assinados por responsável técnico. Foi igualmente constatada a ausência de controle de ectoparasitas, como pulgas, carrapatos e ácaros.

Do ponto de vista do bem-estar animal, a profissional destacou que os animais não estavam livres de dor, estresse, fome ou desconforto, tampouco possuíam condições de expressar comportamento natural — elementos que, tecnicamente, caracterizam maus-tratos.

Durante a inspeção, foram observados diversos animais com quadros clínicos de diarreia, sarna e dermatites alérgicas, além de superlotação, mistura de espécies no mesmo ambiente, falhas graves de higienização e ausência generalizada de controle sanitário e reprodutivo.

Por fim, a veterinária concluiu que inexistiam condições mínimas de saneamento e limpeza no local, circunstâncias que, de forma conjunta, configuram, sob o ponto de vista técnico, a prática de maus-tratos aos animais.

Delegado destaca a gravidade do caso

Em manifestação sobre o caso, o delegado Felipe Borba enfatizou a gravidade da conduta e o papel da investigação:
“Estamos diante de uma situação de elevada reprovabilidade social, em que animais são submetidos a sofrimento em um contexto de exploração econômica. A atuação da Polícia Civil visa a interromper essa prática e a responsabilizar os envolvidos. Também é importante destacar que denúncias anônimas são levadas a sério e frequentemente constituem o ponto de partida para ações como esta, permitindo a pronta resposta do Estado diante de crimes dessa natureza.”

Os investigados permanecem à disposição da Justiça, e as apurações prosseguem para completa elucidação dos fatos.

Qualquer informação pode ser repassada à Delegacia de Dois Irmãos pelo telefone 51-35846519 ou via WhatsApp 51-985437318, garantindo-se o anonimato.

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