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IVOTI: Movimento pede ações de proteção às crianças após caso envolvendo dois investigados por armazenamento e compartilhamento de conteúdo de abuso sexual infantil

15/07/2026 - 10h53min

Marcos Dapper usou a tribuna para pedir medidas de proteção às crianças, aos adolescentes e aos animais

“Proteger nossas crianças é um dever moral”, afirma representante durante sessão na Câmara de Vereadores

O movimento Vozes Que Protegem Ivoti utilizou a tribuna da Câmara de Vereadores na noite de segunda-feira, dia 13, durante a sessão ordinária, para defender o fortalecimento das ações de proteção à infância após o caso envolvendo dois empresários moradores de Ivoti, indiciados por armazenar e, em um dos casos, também compartilhar conteúdos de abuso sexual infantil. A investigação da Polícia Civil identificou cerca de 100 terabytes de arquivos ilícitos.


FORTALECIMENTO DA PROTEÇÃO ÀS CRIANÇAS FOI UM DOS PEDIDOS

Representando o movimento, Marcos Dapper afirmou que a manifestação não tinha como objetivo discutir o andamento das investigações ou questionar o trabalho das autoridades. “Não viemos discutir um processo policial, não viemos antecipar julgamento e não viemos questionar o trabalho das autoridades responsáveis pela investigação ou da Justiça. Também não viemos fazer um discurso político. Viemos falar sobre consciência, responsabilidade e humanidade”, declarou.

Segundo ele, o caso provocou forte impacto na comunidade. “Eles atravessam famílias, escolas, igrejas, empresas, entidades e instituições. São sentimentos que unem uma comunidade quando ela percebe que algo essencial foi profundamente abalado”, afirmou.

Durante o pronunciamento, Dapper destacou que a proteção de crianças e adolescentes é uma responsabilidade coletiva. “Proteger nossas crianças e adolescentes não é apenas um dever legal. É, antes de tudo, um dever moral, um dever humano e um compromisso de consciência”, disse.

Ele também defendeu que a mobilização resulte em ações permanentes de prevenção. “Será que podemos construir campanhas permanentes de conscientização? Fortalecer ações de prevenção? Aproximar mais escolas, famílias, profissionais de saúde, forças de segurança, entidades, empresas, meios de comunicação e toda a comunidade? Porque proteger a infância não pode depender apenas de um momento de comoção. Precisa se tornar parte da cultura da cidade.”

Ainda durante a fala, o representante do movimento manifestou repúdio aos maus-tratos contra animais. “Toda a violência contra crianças e adolescentes é uma grave violência da dignidade humana. Da mesma forma, toda violência e abuso contra animais também merece nosso repúdio. A crueldade nunca pode ser tratada como algo menor.”

Ao encerrar, Dapper defendeu que o episódio fortaleça a rede de proteção à infância. “Que transformemos nossa indignação em compromisso, nossa preocupação em prevenção e nossa dor em responsabilidade. Porque uma comunidade não será lembrada apenas pelos problemas que enfrentou. Ela será lembrada principalmente pela coragem de defender seus valores quando eles forem colocados à prova.” Como reflexão final, acrescentou: “O mal não prospera apenas pela ação dos que fazem o mal, mas também pela inércia dos que poderiam impedir sua construção. O bem começa quando a consciência se transforma em atitude.”


ENVOLVIDOS FORAM INDICIADOS

O caso veio à tona no dia 26 de junho, quando dois empresários foram presos em flagrante. Um dia depois, eles foram soltos pela Justiça

Na última semana, a Polícia Civil concluiu os inquéritos e indiciou os dois investigados. Os procedimentos foram encaminhados ao Poder Judiciário no dia 7 de julho, após a apreensão de mais de 100 terabytes de material relacionado aos crimes.

Daniel Gustavo de Paula, de 64 anos, foi indiciado por armazenamento de conteúdo de abuso sexual infantil, crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O caso será analisado pela Promotoria de Justiça de Ivoti, e a pena prevista é de até quatro anos de reclusão.

Já Jean Carlos Gernhardt, de 47 anos, foi indiciado por armazenamento e compartilhamento desse tipo de material. Conforme a Polícia Civil, a perícia constatou o envio de arquivos a terceiros, o que levou o caso à competência da Justiça Federal. O inquérito foi remetido ao Ministério Público Federal (MPF), que decidirá sobre o oferecimento de denúncia e eventual pedido de prisão preventiva. A pena prevista varia de três a seis anos de reclusão.

 

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