Região
Profissionais de saúde da rede primária de Dois Irmãos discutem primeiros casos do programa “60 Minutos para o Cérebro”
Dois Irmãos – A rede de atenção básica de saúde do município de Dois Irmãos deu um passo significativo no cuidado com a população idosa. Na última quarta-feira (11/03), profissionais da saúde se reuniram virtualmente com o médico geriatra Dr. Edson Leandro de Ávila Minozzo, especialista em Alzheimer, para discutir os primeiros casos atendidos pelo programa 60 Minutos para o Cérebro, uma iniciativa voltada à identificação precoce de síndromes demenciais.
Como funciona o programa
Cada paciente passa por duas consultas de 30 minutos cada. Na primeira, atendido pelo enfermeiro, são coletadas a história clínica e a lista de medicamentos em uso, solicitados exames laboratoriais e aplicados três instrumentos de avaliação: o IVCF-20, que examina a percepção global de saúde, atividades da vida diária, cognição, mobilidade, comunicação e comorbidades; o PFER, que avalia a funcionalidade, se o paciente consegue administrar suas finanças, preparar refeições, manter atenção em programas de TV ou rádio, lembrar compromissos e viver com autonomia; e o MiniMental, focado em orientação, memória imediata, atenção, cálculo, linguagem e função visuoespacial.
Na segunda consulta, agora com o médico, são analisados os resultados dos exames e das avaliações. O objetivo é verificar se há indícios de síndrome demencial e sua gravidade: leve, moderada ou grave, além de investigar outras causas que possam justificar o declínio cognitivo, como depressão ou uso de medicamentos que prejudicam a cognição em idosos.
Diagnóstico possível e seus limites
A coordenadora da Estratégia de Saúde da Família de Dois Irmãos, médica Maristane Strada, explica que o programa não tem como meta, nem como possibilidade, fechar um diagnóstico definitivo de doença de Alzheimer na atenção primária. “O diagnóstico de Alzheimer é mais refinado e requer centros muito especializados. O que a gente quer é identificar se há uma síndrome demencial, qual o grau, e iniciar o tratamento ou a prevenção”, afirma.
Segundo ela, o foco no diagnóstico precoce é justamente evitar que casos leves evoluam para quadros mais graves. Para isso, a equipe conta com a mentoria do Dr. Minozzo, que orienta condutas clínicas e ajuda a definir os chamados red flags, sinais de alerta que indicam a necessidade de encaminhamento a serviços especializados. Os casos prioritários de encaminhamento são pacientes com menos de 65 anos com quadro demencial e aqueles com deterioração cognitiva muito rápida.
Projeto piloto em andamento
Desde o início, 20 pacientes já foram avaliados pelo programa. As equipes realizam entre um e dois atendimentos por semana, ritmo adequado para este momento inicial. O próximo passo previsto é a realização de exames de imagem, provavelmente tomografias, com o objetivo de excluir lesões que não sejam relacionadas à demência, já que o diagnóstico desta condição é essencialmente clínico.
A reunião de quarta-feira marcou o início das discussões de casos, com a equipe da Unidade de Saúde União. A partir dessas experiências, o fluxo de atendimento será revisado e ajustado antes de uma eventual expansão para outras unidades do município.
“A gente tem um fluxo inicial que está sendo testado. A partir daí, a gente vai ver o que está funcionando e fazer os ajustes necessários”, resume Maristane.
