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Após pronunciamento presidencial, prefeitos da região mantêm decretos

Após declarações de Bolsonaro, comércios permanecem fechados mas já é percebido um aumento de movimento nas ruas

Região – Os prefeitos dos onze municípios que compreendem a área de cobertura do Diário se manifestaram contrários ao pedido manifestado por Jair Bolsonaro, em pronunciamento feito na noite de terça-feira, 24. Em sua fala, o presidente pediu o fim do confinamento em massa para que a população volte à normalidade, a fim de preservar a economia e evitar uma crise ainda maior.

Os líderes do Poder Executivo nos municípios, no entanto, seguem com a intenção de manter os decretos municipais, que estimulam essencialmente o isolamento social e a permissão somente dos serviços considerados essenciais. Os prefeitos destacam que serão seguidas as orientações da Organização Mundial da Saúde, evitando aglomerações e rápida propagação da doença.

Nos municípios, após a declaração do presidente, já é possível observar um aumento de movimento nas ruas. O comércio, porém, segue com a grande maioria dos estabelecimentos fechados, cumprindo os decretos locais. As exceções são as mesmas já previstas nas determinações, de instituições bancárias, supermercados e farmácias.

Confira o que pensa cada prefeito sobre o assunto:

  • Tânia da Silva – Dois Irmãos

“Neste momento não vou revogar o decreto municipal conforme orientou o presidente Jair Bolsonaro em seu pronunciamento. Estamos trabalhando com alinhamento dos governos federal, estadual e municipal. Não tem nenhum documento dizendo que é para retornar aos trabalhos. Se vier algo documentado do Governo Federal, vamos obedecer. Em relação à suspensão ao trabalho nas fábricas, por exemplo, não está prevista no decreto do município. Mas por decisão própria, muitos empresários resolveram parar porque parte dos funcionários está nos grupos de risco”.

  • Ivete Grade – Estância Velha

“Lamentavelmente, a fala do presidente Jair Bolsonaro, no seu pronunciamento desta quarta-feira, é contrária a todas as orientações da Organização Mundial de Saúde. Para o bem de todos, é de extrema necessidade que todos aqueles que possam, fiquem nas suas casas. O isolamento social é a forma mais eficaz de combatermos o vírus”.

  • Martin Kalkmann – Ivoti

“Neste momento vamos manter o estado de calamidade pública e todos os decretos já feitos. Estamos obedecendo os protocolos e avaliando a situação diariamente. O que estamos fazendo é adaptar os decretos, mas não por causa da fala do presidente”.

  • Gilmar de Quadro – Lindolfo Collor

“Nós vamos manter os nossos decretos, atendendo às orientações do Governo do Estado e da Organização Mundial da Saúde. Elas nos dizem que nós devemos manter todas as medidas de precaução e é isso que vamos fazer. Independente das colocações do presidente da república, este é o nosso posicionamento”.

  • Henrique Petry – Linha Nova

“Trabalhei a manhã toda com todos os prefeitos da Associação dos Municípios do Vale do Rio Caí (AMVARC) e nossa posição é mantermos tudo que foi planejado até este momento, baseado nas indicações feitas pelos órgãos mundiais e nacionais de saúde. Somos muito unidos e esta opinião não é exclusivamente minha. Não acataremos o que o presidente falou, pelo menos neste momento. Ele tem o posicionamento dele, nós temos o nosso. e creio ser uma temeridade retomarmos a normalidade”.

  • Carla Chamorro – Morro Reuter

“Por enquanto, não vou revogar o decreto municipal por causa da fala do presidente Jair Bolsonaro. Mas percebi que a explanação dele abriu questionamentos de muitas pessoas e até cheguei a ser procurada por alguns empresários que queriam saber como ficaria a situação. Porém, confirmei que não terá alteração. Vou seguir com as orientações da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde. Estamos com uma força-tarefa envolvida nesse trabalho e vamos continuar. As nossas decisões estão sendo tomadas com base nas recomendações de especialistas”.

  • Regis Luiz Hahn – Nova Petrópolis

“É fundamental encarar esta pandemia com seriedade e responsabilidade. Em Nova Petrópolis, o Decreto em vigor permanece válido. A saúde da comunidade é prioridade neste momento. Estamos alinhados com os profissionais de saúde no combate e enfrentamento à propagação do Coronavírus – COVID-19. E temos como finalidade maior a garantia da saúde da população. A Administração Municipal e o Comitê de Crise estão sintonizados, trabalhando pelo melhor de todos, nas condições mais”

  • Daniel Ruckert – Picada Café

“As declarações nos causaram, no mínimo, surpresa, para não dizer incredulidade. Enquanto as autoridades do mundo inteiro estão salientando a importância do recolhimento social para minimizar a propagação do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro vem no sentido contrário. Vamos manter o decreto que prevê 15 dias de suspensão das atividades econômicas, adotando a linha do governador Eduardo Leite. Concordamos que haverá impactos na economia, mas nesse momento na ordem de prioridade estão a vida, em primeiro lugar e, logo após, os empregos”.

  • Egídio Grohmann – São José do Hortêncio

“Há várias interpretações. Na minha visão, ele quis injetar ânimo, não causando pânico e histeria na população. As pessoas estão pensando demais no assunto e isso pode até atrair o vírus. Concordo que há contradições na sua fala, porque a esfera federal prega ideias diferentes da dele. E creio que ele foi infeliz sobre as escolas. Ali temos um aglomerado que facilitaria a transmissão. Quanto aos decretos, aqui nada muda. Só temo como o Ministério Público vê as nossas ações, talvez por interpretar que algumas medidas não competem ao município”.

  • Gilmar Führ – Presidente Lucena

“Sobre as declarações do Bolsonaro, não tem muito o que falar. Nós vamos manter o decreto de calamidade pública, ao menos durante os 15 dias que já estavam previstos. Essas duas semanas devem ser decisivas para evitar a propagação do coronavírus. Então mantemos a medida e depois vamos reavaliar para decidir se voltamos à normalidade”.

  • Mara Stoffel – Santa Maria do Herval

“Fiquei um pouco surpresa ao assistir o pronunciamento em que o presidente Jair Bolsonaro contraria toda a mobilização que vem sendo feita em relação ao isolamento social. Mas, por enquanto, não vamos revogar o decreto municipal e seguiremos do jeito que está. Nosso trabalho segue forte na prevenção. Vamos aguardar as novas orientações, porque nossas decisões são tomadas em conjunto com as associações de municípios e o que é repassado pelo Ministério da Saúde. Em Herval a população já está bem consciente, respeitando as determinações e por isso não podemos abrir mão de tudo o que já conquistamos”.