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Temor por desemprego nas pequenas empresas de calçados em Dois Irmãos

Pequenas empresas calçadistas representam mais de 1.500 empregos em Dois Irmãos (Cred. Cleiton Zimer)

Dois Irmãos –  A paralisação em praticamente todos os setores irá impactar diretamente a economia dos municípios em razão da tentativa de evitar ao alastramento da epidemia do coronavírus. Em Dois Irmãos, a quinta-feira foi marcada por extensas reuniões de empresários junto ao Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Calçadistas e as pequenas empresas está temem pelo desemprego. Os atelieres estão ficando sem serviço e alguns já receberam a indicação de fechá-los por um período. Nesta sexta-feira, alguns locais já que irão parar por cerca de 20 dias. “O momento é muito difícil. Estamos trabalhando para tentar dar suportes às empresas. Tem locais que se ficarem de 20 a 30 dias sem serviço, não vão conseguir manter as portas abertas. Nossa primeira preocupação neste momento está sendo com os atelieres. Já teve dono de atelier chorando por não saber se vai conseguir manter folha de pagamento e funcionários”, alertou o diretor do sindicato, Romeo Schneider. Em Dois Irmãos, há cerca de 4.500 calçadistas, sendo de 1.500 a 2.000 de pequenas empresas.

“Vamos lutar até onde der para manter os empregos”, desabafa dono de atelier

São mais de 20 anos atuando no ramo calçadista e, atualmente, empregando 110 pessoas em Dois Irmãos. Os últimos dois dias têm sido de dúvidas, medo e dedicação total para conseguir manter salários e os empregos dos funcionários. O atelier de Antônio Elton Santos produz sapatos para uma grande empresa e, na quarta-feira à tarde, ele recebeu a ligação que mais temia. “Por volta das 14 horas recebi a ligação dessa empresa dizendo para fecharmos o atelier até às 17h30 da quarta mesmo e retornar somente no dia 13 de abril, pois eles tiveram que fechar a indústria e, por isso, não teria serviço para nós. Foi um choque”, relatou ele. Antônio manterá a equipe trabalhando até hoje, dia 19, e depois, até o dia 13, ficará de portas fechadas. “Segunda irei pagar o vale dos funcionários e farei de tudo para dia 5 fazer o pagamento. Vou me desdobrar para conseguir manter o pagamento dos funcionários sem trabalhar nesses dias, pois sabemos o quanto o salário é importante para cada família. Esse é meu pensamento e vamos lutar até onde der para manter os empregos. São muitas famílias que estão diariamente com nós e, assim como eles precisam de mim, também preciso deles”, desabafa Antônio.

“Essa é uma crise que não se pode culpar alguém”

No retorno, a incerteza é sobre se a situação já vai estar normalizada. “Hoje, não sabemos dizer se quando retornamos haverá serviço para tocar a produção. Nosso empenho e torcida é para que sim. Nestes anos todos atuando na área do calçado, posso dizer que este é um dos períodos mais difíceis em razão das incertezas, de justamente não saber o que está por vir. Essa é uma crise que não se pode culpar alguém, a situação é difícil, são decisões difíceis de serem tomadas por todos. O que desejo é que tudo isso venha para ajudar, para realmente prevenir algo maior e mais cruel. Que Deus nos protege”.

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