Os sintomas podem passar despercebidos, mas são alertas que o nosso corpo dispara para denunciar que algo não está bem

Há alguns anos, sem internet, as pessoas tinham como tarefas diárias simplesmente o trabalho, um telefone fixo para atender ou olhar somente quanto tocava, tarefas de casa e escola, conversas presenciais.

Atualmente estas tarefas triplicaram, no trabalho e em casa, as pessoas controlam e monitoram várias coisas ao mesmo tempo com uma certa obrigação de dar conta de tudo sempre. São elas: instagram, facebook, twiter, agenda eletrônica, aplicativos de tudo, whats (precisa responder na hora), alertas do celular e.tarefas de casa, escola, filhos, cônjuges, família, amigos e quando for possível alguma conversa presencial – se der tempo, é claro!

Tudo isso pode causar um estresse elevado, afetando tanto o emocional como o corpo. Segundo a psicóloga do NAP, psicólogas do NAP Andréia Reis, uma pessoa submetida a este estresse pode estar com uma sobrecarga emocional que pode levar a uma sensação de desconforto e também pode se relacionar ao desencadeamento de ansiedade ou sintomas depressivos. Além de sintomas como dores de cabeça, alteração no sono, excesso de apetite e queda de cabelos. Choro fácil, sinais de ansiedade, desesperança e dificuldade em memorização. “Quando nosso corpo começa a manifestar sintomas, estes são sinais de alerta de que algo não está bom”, observa.

Estamos sobrecarregados

A sobrecarga emocional é um estado que merece bastante atenção, cuidado e que não deve ser subestimado e nem naturalizado. A sobrecarga emocional significa que estamos carregando muitas tarefas e preocupações em nosso dia a dia que estão prejudicando nosso funcionamento e nossos pensamentos. “Muitas vezes isso acontece porque nossas necessidades não estão sendo atendidas, seja de lazer, de descanso, ou mesmo de se sentir querido e amado por si mesmo e pelos outros”, observa a profissional.

A melhor forma de lidarmos com tudo isso, segundo ela, é a mudança de hábitos. “Quando falo hábitos, me refiro verdadeiramente em mudança de rotinas que nos levam ao estresse com carga emocional elevada”, aponta.

Emoção e sentimentos

Não precisamos abandonar a virtualidade que faz parte de nossas vidas e, com certeza, com vários benefícios importantes. Contudo podemos buscar nos libertar da obrigatoriedade em relação as redes sociais e vamos nos voltar mais ao auto respeito em relação aos nossos limites, reconhecendo quando nosso corpo e mente pede descanso e momentos de descontração com pessoas que amamos e que nos fazem rir e lembrar que temos uma vida real, linda e nos convocando a simplesmente viver e não nos obrigar a relatá-la diariamente na virtualidade.

Sensação de esgotamento

A também psicóloga do NAP, Josiane Pires, reforça que a sobrecarga emocional aparece para nos lembrar que não somos super-heróis ou heroínas, e sim humanos nutridos de muita emoção e sentimentos. Caracterizada por uma sensação excessiva de esgotamento, a sobrecarga emocional se manifesta de várias formas.

Embora a exaustão emocional seja sentida como cansaço mental, geralmente ela está acompanhada de uma grande fadiga física, apresentando sintomas como: Alterações de humor repentinas, problemas de concentração, esquecimentos frequentes, dificuldade de manter o foco, irritabilidade, insônia, dores pelo corpo, sendo a dor de cabeça a mais comum delas.

O processo até chegar à exaustão acontece de forma lenta e gradativa. As responsabilidades diárias, a sobrecarga profissional, os relacionamentos amorosos, as frustrações e a necessidade de se adequar aos padrões impostos pela sociedade são alguns fatores que podem causar sérios desequilíbrios.

Muitas vezes um sujeito que está sobrecarregado emocionalmente pode ser visto pela sociedade como uma pessoa que está desequilibrada. Pois, quem está emocionalmente desequilibrado deixa as emoções falarem mais alto do que a razão e tomam atitudes que seriam moralmente questionáveis — como arrumar briga no trânsito, por exemplo.

Desgastes emocionais

A sobrecarga emocional está ligada diretamente à atitudes como negligenciar as próprias necessidades e não assumir limites, podendo ocasionar intensos desgastes emocionais. Para acurar a sobrecarga emocional a primeira indicação é olhar para nós mesmos e pensar se existe um nível crônico de estresse, e/ou se continuamente as nossas necessidades pessoais estão sendo deixadas de lado. Na tentativa de descobrir o que está deixando o nosso emocional abalado, há a possibilidade de encontrar alternativas para novamente entrar no eixo.

Uma boa sugestão é questionar quais são as prioridades que mais têm espaço na nossa vida.

Manter a autoconfiança

Manter a autoconfiança, organizar as tarefas e prazos, tirar um tempo de férias, aprender a controlar as emoções (por meio de psicoterapia especializada) são algumas alternativas para suprir o esgotamento emocional. Esta época de final de ano é muito propicia para desencadear sobrecargas emocionais. Além da correria que acompanha à chegada das tradicionais festas, é nessa época que fazemos um levantamento das conquistas. Com isso, acabamos tendo contato com algumas frustrações, refletindo sobre planos que não foram concretizados. Uma boa recomendação é prestar atenção se algumas de nossas necessidades estão sendo atendidas, seja de lazer, de descanso, ou mesmo de se sentir querido e amado. Se duas ou mais respostas forem negativas é preciso ficar atento!